8 DE MARÇO

Papa Leão XIV: jamais subestimem qualquer ato de violência à mulher

O Sucessor de Pedro respondeu a uma leitora da revista “Piazza San Pietro” que pede ajuda para acabar com os feminicídios e invoca uma aliança entre a escola e a Igreja

Da redação, com Vatican News

O Papa Leão XIV, no Dia Internacional da Mulher, exortou a sociedade a apoiar o “gênio feminino” / Foto: Saif71.com por Unsplash

O Papa Leão XIV respondeu a uma leitora da revista “Piazza San Pietro” que pede ajuda para acabar com os feminicídios e invoca uma aliança entre a escola e a Igreja para difundir entre os jovens “uma cultura de respeito”. O Pontífice exorta a apoiar o “gênio feminino”: as mulheres, afirma, são sinal de “liberdade, igualdade, generatividade, solidariedade, justiça”, valores “combatidos por uma mentalidade perigosa que gera egoísmo, preconceitos, discriminações”.

Leia também
.: Dignidade e segurança da mulher devem ser preservadas, frisam padres

É uma ode às mulheres, hoje frequentemente “agredidas e mortas” por serem um sinal de contradição em uma sociedade confusa e violenta, e ao mesmo tempo um apelo vigoroso a apoiá-las e protegê-las, denunciando e nunca subestimando qualquer ato de violência, a carta de Leão XIV publicada na edição deste mês da revista Piazza San Pietro e divulgada neste domingo, 8 de março, dia da Festa da Mulher. O Papa responde – como de costume – ao pedido de um leitor que lhe pede alguma ajuda ou sugestões de reflexão e ação sobre temas de grande atualidade. Em março, a assinatura da carta é de Giovanna: ela escreve de Roma e escreve “com os olhos brilhantes”, tornando-se porta-voz da tragédia de tantas mulheres para as quais “amar um homem, casar-se com ele ou escolher viver com ele, criar uma família” se torna “uma armadilha”. “Por quê?”, ela pergunta: “como podemos hoje explicar a violência cada vez mais frequente e dolorosa que tantos homens exercem sobre as mulheres que dizem amar? Até matá-las. Brutalmente, com ódio, como se elas fossem culpadas por não os amar mais”.

Apoiar o gênio feminino

A resposta de Leão XIV é longa e ponderada e parte do sentimento de “grande sofrimento” que essa questão provoca em seu coração: “a violência nas relações, e em particular a violência contra as mulheres”. O Papa cita São João Paulo II e a famosa expressão do “gênio feminino”, aquele gênio que “em um mundo muitas vezes dominado também por um pensamento violento, deveria ser apoiado ainda mais”.

Sinal de contradição

As mulheres são “protagonistas e criadoras de uma cultura de cuidado e fraternidade indispensável para dar futuro e dignidade a toda a humanidade”, afirma o Pontífice. “Talvez também por isso” hoje elas são “agredidas e mortas”, porque, insiste Leão, “são um sinal de contradição nesta sociedade confusa, incerta e violenta, porque nos indicam valores de fé, liberdade, igualdade, generatividade, esperança, solidariedade, justiça”. São esses “grandes valores” que, ao contrário, “são combatidos por uma mentalidade perigosa que infesta as relações, produzindo apenas egoísmo, preconceitos, discriminações e vontade de domínio”.

A violência, fronteira que divide a civilização da barbárie

Já na homilia de Pentecostes, no passado dia 8 de junho, por ocasião também do Jubileu dos movimentos, Leão XIV havia denunciado essa atitude que “muitas vezes desemboca na violência, como infelizmente demonstram os numerosos e recentes casos de feminicídio”.

“A violência, qualquer violência, é a fronteira que divide a civilização da barbárie”, ressalta o Papa.

“Nunca se deve subestimar um ato de violência e não devemos ter medo de denunciar a violência, incluindo aquele clima de justificação ou que atenua ou nega as responsabilidades”.

Uma aliança entre a escola e a Igreja

O Papa diz-se impressionado com o apelo de Giovanna, que invoca um trabalho “de base” sobre a cultura e a educação dos jovens, de modo a “contribuir para criar o respeito pelo outro sexo e pelo outro, em sentido lato. Para aqueles que são diferentes de nós”. E este é um trabalho – segundo a leitora romana da revista dirigida pelo padre Enzo Fortunato – que a Escola e a Igreja podem realizar juntas: “quem mais, senão a Escola e a Igreja, pode ajudar as novas gerações a difundir uma cultura de respeito, amor e, acima de tudo, liberdade? Uma mensagem que ensine a não considerar a mulher como um objeto a ser possuído…”.

Projetos específicos

Portanto, “uma aliança educacional cada vez mais forte” é o que Giovanna pede e cuja necessidade absoluta o Papa Leão reitera: “caminhar juntos no respeito mútuo pela própria humanidade não é um sonho, mas a única realidade possível para construir um mundo de luz para todos”, escreve ele na carta. “A Igreja – acrescenta – com as famílias, a escola, as paróquias, os movimentos e associações, as congregações religiosas e as instituições públicas podem compartilhar a urgência de realizar projetos específicos para prevenir e deter a violência contra as mulheres”.

Formar os jovens

Daqui, surge um novo apelo – na sequência do já expresso no passado dia 25 de novembro, por ocasião do Dia Internacional contra a Violência contra as Mulheres — para “acabar com a violência”, começando pela “formação dos jovens” e procurando abrir “todos os corações para dizer que cada pessoa é um ser humano que merece respeito, essa dignidade para homens e mulheres, todos”. “É preciso eliminar essa violência — conclui o Papa —, e buscar a maneira de formar a mentalidade, é preciso ser pessoas de paz, que amam a todos”.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content