Mensagem

Sonhem e façam os jovens sonharem, pede Papa aos Salesianos

Uma mensagem do Papa foi enviada aos participantes do 28º Capítulo Geral dos Salesianos, em andamento em Valdocco, em Turim, na Itália

Da redação, com Vatican News

O Papa Francisco enviou uma mensagem nesta sexta-feira, 13, aos participantes do 28º Capítulo Geral dos Salesianos, em andamento em Valdocco, em Turim, noroeste da Itália. “Saúdo-os com afeto e agradeço a Deus por poder, mesmo à distância, partilhar com vocês um momento do caminho que estão percorrendo”, foram as primeiras palavras ditas pelo Pontífice.

Em sua mensagem, o Santo Padre diz ser significativo que, após algumas décadas, os salesianos celebrem o Capítulo Geral em Valdocco – o lugar da memória – onde o sonho fundador se concretizou e deu os primeiros passos. “Estou certo de que o fragor e o vociferar será a melhor música, a mais eficaz para que o Espírito Santo reavive o dom carismático do fundador de vocês”, afirmou o Papa quando convidou os participantes a não fecharem as janelas a este rumor de fundo.

“Deixe que os acompanhe e que os mantenha inquietos e intrépidos no discernimento; e permitam que essas vozes e esses cantos, por sua vez, evoquem em vocês os rostos de tantos outros jovens que, por várias razões, se encontram como ovelhas sem pastor. (…) Esse fragor e essa inquietação os manterão atentos e vigilantes diante de qualquer tipo de anestesia imposta a si mesmos e os ajudarão a permanecer numa fidelidade criativa à identidade salesiana de vocês”, destacou.

O Pontífice ressaltou que pensar a figura de salesiano para os jovens de hoje implica aceitar que a sociedade está imersa em um momento de mudanças, que gera incertezas e nenhuma segurança e precisão quanto ao que acontecerá no futuro próximo a nível social, econômico, educacional e cultural.

“Tal perspectiva se acentua ainda mais pelo fato que as obras de vocês são orientadas de modo particular ao mundo juvenil que em si mesmo é um mundo em movimento e em contínua transformação”, evidencia. O Papa destaca a necessidade de uma dúplice docilidade: “docilidade aos jovens e às suas exigências e docilidade ao Espírito e a tudo aquilo que Ele queira transformar”.

Em tempos de mudanças, exortou Francisco, faz bem ater-se às palavras de São Paulo a Timóteo: “Por este motivo, eu te exorto a reavivar o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de medo, mas um espírito de força, de amor e de sobriedade” (1 Tm 16-7).

“O Oratório salesiano e tudo aquilo que surge a partir dele, como conta a biografia do Oratório, nasce como resposta à vida de jovens com um rosto e uma história, que colocou em movimento aquele jovem sacerdote incapaz de permanecer neutral ou imóvel diante do que acontecia”, afirma o Santo Padre. Para Francisco, Dom Bosco não somente não fez a escolha de separar-se do mundo para buscar a santidade, mas se deixou interpelar e escolher como e qual mundo habitar.

Escolhendo e acolhendo o mundo das crianças e dos jovens abandonados, sem trabalho nem formação, Dom Bosco permitiu-lhes experimentar de modo tangível a paternidade de Deus e lhes forneceu instrumentos para contar a vida e a história deles à luz de um amor incondicionado, observou o Papa. Os jovens, recordou o Pontífice, ajudaram a Igreja a reencontrar-se com a sua missão: “A pedra que os construtores descartaram tornou-se a pedra angular” (Sal 118,22).

Francisco encorajou os salesianos a continuarem esforçando-se para fazer de suas casas um “laboratório eclesial” capaz de reconhecer, apreciar, estimular e encorajar os diferentes chamados e missões na Igreja. “Antes ainda de fazer coisas, o salesiano é recordação viva de uma presença em que a disponibilidade, a escuta, a alegria e a dedicação são as notas essenciais para suscitar processos. A gratuidade da presença salva a Congregação de toda obsessão ativista e de todo reducionismo técnico-funcional. O primeiro chamado é o de ser uma presença alegre e gratuita no meio dos jovens”.

Após ressaltar que a presença universal da família salesiana é um estímulo e um convite a custodiar e a preservar a riqueza de muitas das culturas em que se encontram imersos sem buscar “homologá-las”, o Pontífice reiterou que o salesiano é chamado a falar na língua materna de cada cultura em que se encontra.

“A unidade e a comunhão da família de vocês é capaz de assumir e aceitar todas essas diferenças, que podem enriquecer o corpo inteiro numa sinergia de comunicação e interação onde cada um possa oferecer o melhor de si para o bem de todo o corpo.” Desse modo, diz ainda, “a salesianidade, longe de perder-se na uniformidade das tonalidades, adquirirá uma expressão mais bonita e atrativa… saberá expressar-se ‘em dialeto’”.

Um dos “gêneros literários” de Dom Bosco era os sonhos, sublinhou o Papa. “Com eles o Senhor abriu caminho em sua vida e na vida de toda a Congregação de vocês alargando a imaginação do possível. Os sonhos, longe de mantê-lo adormentado, ajudaram-no, como se deu com São José, a assumir outro patamar, e outra medida da vida, que nascem das vísceras da compaixão de Deus. Era possível viver concretamente o Evangelho. Dom Bosco sonhou isso e lhe deu forma no oratório”, recordou.

O Santo Padre convidou os salesianos a sonhar grande. “Saibam que o mais lhes será dado por acréscimo. Sonhem casas abertas, fecundas e evangelizadoras, capazes de permitir ao Senhor mostrar a muitos jovens seu amor incondicionado e permitir a vocês gozar da beleza à qual foram chamados.”

Ao concluir sua mensagem, o Papa conclui exortou: “Sonhem… E não somente por vocês e pelo bem da Congregação, mas por todos os jovens desprovidos da força, da luz e do conforto da amizade com Jesus Cristo, desprovidos de uma comunidade de fé que os apoie, de um horizonte de sentido e de vida. Sonhem… E façam sonhar!”

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