Mensagem

Para o Dia Mundial da Paz, Papa aponta diálogo e conversão ecológica

Mensagem do Papa para o 53º Dia Mundial da Paz foi divulgada nesta quinta-feira, 12; confira os principais trechos do texto

Da redação

“A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica”. Este é o tema da mensagem do Papa Francisco para o 53º Dia Mundial da Paz. Divulgado nesta quinta-feira, 12, pelo Vaticano, o texto aborda a paz como um caminho a ser seguido a partir de cinco perspectivas: esperança diante dos obstáculos e provações; escuta baseado na memória, solidariedade e fraternidade; reconciliação na comunhão fraterna; e conversão ecológica.

Na íntegra
.: Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 2020

Segundo o Santo Padre, a paz, enquanto um bem precioso, deve ser sempre objeto de esperança e de constante busca. A esperança é defendida pelo Pontífice como uma virtude que coloca o caminho e dá asas para que homens e mulheres continuem mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis. Francisco citou as muitas memórias e sinais de guerras e conflitos vividos pela humanidade e destacou os mais pobres e frágeis como os maiores prejudicados. 

Governos que defendem a paz, mas fabricam armas foram novamente criticados pelo Papa, que recordou seu recente discurso sobre as armas nucleares realizado durante Viagem Apostólica ao Japão. Francisco afirmou que a dissuasão nuclear cria uma visão ilusória de segurança. “Não podemos fingir manter estabilidade no mundo através do medo de aniquilação, num equilíbrio muito instável”, alertou. 

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O abismo nuclear, os muros da indiferença e as decisões socioeconômicas que suscitam dramas como o descarte do homem e da criação também foram analisados pelo Santo Padre. “Devemos adquirir uma fraternidade real, estabelecida na origem comum de Deus e viva no diálogo e na confiança mútua. O desejo de paz está profundamente inscrito no coração do homem e não deve resignar-nos com nada de menos”.

Sobre o caminho da escuta baseado na memória, solidariedade e fraternidade, o Pontífice retomou a necessidade de um olhar sempre para o passado. A memória evita os mesmos erros e esquemas ilusórios passados, além de trazer a experiência e o que falta para o surgimento de novas opções de paz, garantiu. 

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“Na nossa experiência cristã, fazemos constantemente uma memória de Cristo, que deu a sua vida pela nossa reconciliação (cf. Rm5, 6-11). A Igreja participa totalmente da busca de uma ordem justa, e continua a servir o bem comum e a alimentar uma esperança de paz, através da transmissão de valores cristãos, do ensino moral e das obras sociais e educacionais”, sublinhou Francisco.

Para retomar o princípio da reconciliação na comunhão fraterna, o Santo Padre recordou que, na Bíblia, particularmente através da palavra dos profetas, há um chamado para que se estabeleça uma aliança entre os povos, e entre Deus e a humanidade. Viver a comunhão, de acordo com o Pontífice, significa escolher abandonar o desejo de domínio sobre os outros para aprender a olhar o próximo como uma pessoa, um filho de Deus, como um irmão. O caminho de reconciliação também convida homens e mulheres a buscarem viver o perdão. 

A conversão ecológica

O Papa retomou também o desejo de uma conversão ecológica mundial e condenou os que justificam os abusos contra a natureza, o domínio despótico do ser humano sobre a criação, as guerras, injustiças e a violência. Tais atitudes geram como consequências, segundo Francisco, a hostilidade entre as pessoas, a falta de respeito pela casa comum e a exploração abusiva de recursos naturais. “Precisamos de uma conversão ecológica”, completou.

O Sínodo sobre uma Amazônia foi citado na mensagem do Pontífice, como um evento que impulsionou a condução, a reforma do apelo em prol de uma relação pacífica entre comunidades e terras, entre presente e memória, entre experiências e esperanças. “Para o cristão, uma conversão exige deixar emergir, nas relações com o mundo que rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus”.

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Por fim, o Santo Padre alertou para o medo como fonte de conflito e o sacramento da reconciliação como também um caminho de paz. “O sacramento estimado da Igreja, que nos renova como pessoas e como comunidades, convence a manter o olhar fixo em Jesus, que reconciliou ‘todas as coisas, pacificando o sangue de sua cruz, de modo que está na terra como se está no céu’ (Col 1, 20);e pede para depor toda a violência nos pensamentos, nas palavras e nas obras”. 

“Que Deus da paz nos abençoe e venha em nossa ajuda. Que Maria, Mãe do Príncipe da paz e Mãe de todos os povos da terra, nos acompanhe e apoie, passo a passo, no caminho da reconciliação. E que toda a pessoa que vem para este mundo possa conhecer uma presença de paz e desenvolver-se plenamente para prometer amor e vida que traz em si”, concluiu.

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