Papa pede aos líderes da ONU respeito pela dignidade humana

A organização política e econômica mundial não podem relegar o homem a um ser humano de segunda categoria, afirma o Papa aos líderes

Da Redação, com Santa Sé

Papa pede aos líderes da ONU respeito pela dignidade humana

Delegação foi liderada pelo secretário-geral da ONU / Foto: Arquivo L´Osservatore Romano (abril de 2013)

O Papa Francisco recebeu em audiência, no Vaticano, nesta sexta-feira, 9, cerca de 70 participantes do Encontro do Conselho dos Chefes Executivos para a coordenação das Nações Unidas. A delegação da ONU foi liderada pelo Secretário-Geral, Ban Ki-Moon.

Segundo o Papa, é significativo que este encontro se realize poucos dias depois da canonização de João Paulo II e João XXIII . “Pontífices que nos inspiraram com sua paixão pelo desenvolvimento integral da pessoa humana e pela compreensão entre os povos”, destacou. Francisco apontou ser esta a paixão que o Conselho de Chefes Executivos deve levar avante através de grandes esforços em favor da paz mundial, do respeito pela dignidade humana, especialmente dos mais pobres.

O Pontífice citou como exemplo deste esforço, os “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, porém, ressaltou que jamais se deve perder de vista que os povos merecem e aguardam frutos ainda melhores.Quem tem um alto grau de responsabilidade jamais deve se conformar com os resultados alcançados, mas se empenhar cada vez mais para obter o que falta”, apontou.

Para Francisco, no caso da organização política e econômica mundial, falta muito a ser alcançado, pois uma parte importante da humanidade continua excluída dos benefícios do progresso e relegada a seres humanos de segunda categoria.

Francisco pede que os objetivos de desenvolvimento sustentável futuros,  sejam realmente formulados com generosidade e coragem, para que cheguem efetivamente a incidir sobre as causas estruturais da pobreza e da fome. Pediu que incidam também na proteção do meio ambiente e na garantia de um trabalho decente para todos, salvaguardando a família, que é o elemento essencial de qualquer desenvolvimento econômico e social sustentável.

“Trata-se, em especial, de desafiar todas as formas de injustiça, opondo-se à economia da exclusão, à cultura do descartável e à cultura da morte, que, infelizmente, podem ser uma mentalidade aceita passivamente”, denunciou o Papa.

Francisco recordou o episódio bíblico, narrado no Evangelho de S. Lucas, sobre o encontro de Jesus com o rico publicano Zaqueu. Segundo o Papa, Zaqueu tomou a decisão radical de partilhar o que tinha quando a sua consciência foi despertada pelo olhar de Jesus.

“Este é o espírito que deveria estar na origem e no fim de toda ação política e econômica. O olhar, muitas vezes sem voz, daquela parte de humanidade rejeitada deve estimular a consciência dos agentes políticos e econômicos, e levar a escolhas generosas e corajosas que tenham resultados imediatos, como aquela decisão de Zaqueu”, pediu.

A consciência da dignidade humana, apontou o Santo Padre, deve levar todos a compartilhar, com total gratuidade, os bens da providência, sejam as riquezas materiais ou espirituais. “Esta abertura generosa deve estar acima dos sistemas e das teorias econômicas e sociais. Jesus não pede a Zaqueu de mudar o próprio trabalho, mas o induz simplesmente a colocar tudo, livremente, mas imediatamente, a serviço dos homens”, alertou o Pontífice.

Por fim, Francisco os encorajou a prosseguirem o trabalho e a promoverem juntos uma verdadeira mobilização ética mundial que, para além de qualquer diferença de credo ou de opinião política, difunda e aplique um ideal comum de fraternidade e de solidariedade, especialmente pelos mais pobres e excluídos.


 

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