Coordenador da Rádio Vaticano/Vatican News visitou a sede da comunidade em Cachoeira Paulista (SP) e falou sobre o Papa Leão XIV, o trabalho na comunicação e o testemunho da fé
Gabriel Fontana
Da Redação

Silvonei José durante encontro com profissionais do Sistema Canção Nova de Comunicação / Foto: Daniel Xavier
O coordenador da Rádio Vaticano/Vatican News, Silvonei José, visitou a sede da Comunidade Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP) nesta sexta-feira, 30. O jornalista, que vive em Roma há 36 anos e participará de um evento em Aparecida (SP), esteve no Santuário do Pai das Misericórdias para um momento de partilha com os profissionais do Sistema Canção Nova de Comunicação.
Silvonei José expressou sua alegria por visitar a Canção Nova e refletiu sobre os acontecimentos ao longo do último ano que impactaram a vida da Igreja – a morte do Papa Francisco, a eleição de Leão XIV como seu sucessor, a celebração do Jubileu da Esperança e os conflitos e guerras que marcaram a humanidade ao longo de 2025.
Entre outros aspectos, o jornalista destacou o cenário de perseguições: segundo a organização cristã internacional Portas Abertas, 388 milhões de cristãos são perseguidos mundialmente. “Hoje, você pode morrer porque tem um crucifixo no peito”, declarou.
Diante desse cenário, o coordenador da Rádio Vaticano destacou a importância de manter a fé. Ele definiu essa virtude como um grande presente de Deus para os homens e frisou que ela precisa ser traduzida em ações concretas.
“Como é o Papa?”

Foto: Daniel Xavier
Com uma sólida trajetória no jornalismo e na cobertura do Vaticano, Silvonei acompanha o quarto Papa desde que começou sua carreira – antes de Leão XIV, também trabalhou quando Francisco, Bento XVI e João Paulo II estiveram à frente da Igreja.
Refletindo sobre as características do atual Pontífice, o jornalista enfatizou que não existe, para ele, comparação entre um Papa e outro. Pelo contrário: Silvonei apontou para uma continuidade apostólica entre Leão XIV e Francisco, que apenas se expressam de formas diferentes. “É uma continuidade de pensamento porque a Igreja é única”, manifestou.
Silvonei destacou a simplicidade de Leão XIV. Natural de Chicago, nos Estados Unidos, o agostiniano foi enviado ao Peru, onde serviu por anos. “As pessoas são consequências de uma vida, e nós temos um Papa que viveu sua dinamicidade como missionário, como sacerdote, como bispo e, agora, como Papa”, enfatizou.
Lembranças do Padre Jonas Abib
Retomando o tema da fé, o jornalista insistiu na necessidade de expressá-la através de gestos concretos. Recordando o fundador da Comunidade Canção Nova, Padre Jonas Abib, ele reconheceu o trabalho da Canção Nova em prol da evangelização e disse aos presentes que todo o conteúdo produzido é expressão de algo muito maior, um sonho a perpetuar.
Nesse contexto, enfatizou a responsabilidade que cada um carrega em seu trabalho e vocação. O coordenador da Rádio Vaticano sublinhou que tal responsabilidade não corresponde apenas a fazer algo que se tem obrigação, mas aplicar o coração de forma a tornar aquilo que se realiza em algo concreto, capaz de transformar.
Ainda em relação ao Padre Jonas Abib, Silvonei falou sobre a amizade que tinha com o sacerdote. Ele relatou que o conheceu quando foi trabalhar na Rádio Aparecida – à época, a Rádio Canção Nova estava em suas primeiras transmissões. Dali surgiu uma amizade que se estendeu por anos, incluindo algumas visitas em Roma.
Simplesmente um catequista

Segundo livro da trilogia sobre o Papa Bento XVI foi apresentado aos presentes / Foto: Daniel Xavier
Durante o encontro, Silvonei José também apresentou o seu mais recente livro, intitulado Papa Bento XVI: simplesmente um catequista e publicado pela Angelus Editora. Este é o segundo volume de uma trilogia dedicada ao Pontífice que esteve à frente da Igreja entre 2005 e 2013, quando renunciou à sua missão.
Segundo o jornalista, o objetivo de resgatar os ensinamentos de Bento XVI não é despertar um novo interesse sobre o Pontífice, mas oferecer à nova geração a oportunidade de conhecer o que o Papa alemão escreveu.
O primeiro livro da trilogia, Papa Bento XVI: simplesmente um peregrino, aborda a dimensão humana de Ratzinger. Ao comentar a obra, Silvonei exprimiu sua visão de que nada somos além de peregrinos neste mundo, caminhando em direção à eternidade.
O segundo livro, por sua vez, reúne ensinamentos de Bento XVI em suas Audiências Gerais. Trata-se de um olhar voltado para os catequistas, definidos pelo jornalista como “artistas da fé” que ajudam as pessoas a compreender porque dizem “eu amo Jesus”.
Testemunhar a fé

Silvonei José ouve a pergunta de um participante / Foto: Daniel Xavier
Após sua intervenção, o coordenador da Rádio Vaticano respondeu a algumas perguntas dos presentes. Questionado sobre o fenômeno dos perfis católicos nas redes sociais, que frequentemente tornam-se espaço para discussões e divisões, ele afirmou que cada um tem um dom e deve usá-lo a serviço do Evangelho, mas que o mensageiro não pode ser maior do que a mensagem – caso contrário, entra em um protagonismo exacerbado.
Silvonei frisou que é fundamental a presença da Igreja nas redes sociais. “Se não estivermos, alguém vai estar e vai ocupar o nosso espaço”, observou. Neste contexto, apontou a credibilidade e responsabilidade que os profissionais da comunicação têm a ser respeitada e salientou a reflexão sobre o objetivo daquilo que se deseja comunicar.
“Quando eu digo que Deus é amor, não é uma palavra jogada ao vento, escrita em letras cuneiformes porque é bonito. Eu tenho que demonstrar que Deus é amor. Eu tenho que viver, eu não posso comunicar uma coisa que eu não vivo e não acredito”, declarou o jornalista.

Encontro reuniu profissionais do Sistema Canção Nova de Comunicação / Foto: Daniel Xavier




