IDOSOS

Vida ativa e autonomia constroem um novo olhar sobre o envelhecimento

Escuta e acolhimento são necessárias para boa convivência com os idosos

Existe uma diferença importante entre ajudar uma pessoa idosa e decidir por ela. E essa fronteira nem sempre é percebida no dia a dia. Na Semana Internacional da Pessoa Idosa, nossa reportagem mostra como respeito e liberdade ajudam a construir relações melhores.

Reportagem de Léo Apolinário e Emerson Borges

 

Aos 67 anos, dona Teresa ou simplesmente dona Tetê, como é conhecida, tem uma rotina tão intensa que parar não faz parte dos planos. “Eu caminho todos os dias uma hora. Eu frequento um clube que se chama Belo Horizonte, que fica na orla, porque eu quero aprender a nadar na altura da vida aos 67 anos. Eu faço pilates duas vezes por semana. E eu adoro ir pro samba”, relatou a aposentada.

E ela não anda só por Belo Horizonte com as amigas. Uma vez por ano, dona Teresa faz questão de fazer uma viagem internacional com o filho. “2024 eu vi o Papa. Foi muita emoção porque eu sou muito católica. Há dois meses atrás eu estava na Turquia”, contou Tereza Oliveira.

Os idosos estão cada vez mais ativos, mudando o conceito de envelhecimento e a forma como são abordados. Mas algumas atitudes ainda podem causar desconforto. “Às vezes eu vou entrar no ônibus, tem gente na minha frente, mas como eu estou com a cabeça branca, quer que eu entre antes. Isso me incomoda”, recordou ela.

Mas envelhecer com autonomia tem tudo a ver com a maneira que a pessoa é tratada. Kelly é fisioterapeuta e atua há quase 20 anos no atendimento a pessoas idosas. A partir dessa experiência, criou nas redes sociais os 10 mandamentos da boa convivência com os idosos. “Primeiro mandamento, não gritarás. Segundo, não ignorarás. Não apelidarás. Não testarás a memória. Não invadirás a autonomia. Não farás por ele. Não puxarás pelo braço. Não interromperás. Não generalizarás. E o 10º mandamento não infantilizarás.”

O documento viralizou e tem chamado a atenção. “Os mais comuns são gritar com o idoso, achando que todo idoso é surdo. Quando está numa consulta, ao invés de entrevistar o idoso que tá ali presente, entrevista quem tá acompanhando. Então, é mais amável chamar o outro pelo nome do que falar assim: ‘Vem, vozinha’. Coisas do cotidiano que parecem ser amáveis, vêm travestidas de acolhimentos, mas na verdade não são. Elas são recebidas como anulação, como inutilidade pro idoso”, ressaltou a fisioterapeuta.

Cuidar não é só estar presente nas tarefas do dia a dia, é demonstrar carinho e respeito. “Na semana do idoso, gente, no lugar de dar presente, dar sabonete, dar meia, dê dignidade, dê afeto”, comunicou Kelly Travizani Lemos.

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