ACOLHEDOR

Projeto cria lares temporários para crianças e adolescentes vulneráveis

Programa Família Acolhedora move casais a auxiliarem crianças sem lar

No Distrito Federal, uma política pública transforma solidariedade em cuidado. O acolhimento familiar oferece lares temporários para crianças e adolescentes vulneráveis, em um ambiente marcado por proteção, convivência e afeto.

Reportagem de Aline Campelo e Sanny Alves

 

Débora e Rodrigo transformaram a dor da perda da segunda filha em um gesto concreto de amor. Ainda na gestação, conheceram o Programa ‘Família Acolhedora’. “Eu fiquei encantada, queria muito participar e fiquei com ele na cabeça”, disse a administradora de empresas, Déborah Menezes Machado Gaitolini. 

“A Bela, nossa neném, faleceu. Na madrugada, ela me acordou, e falou: ‘Ó, eu senti de Deus que é pra gente não desfazer aquele quartinho ou não fazer daquele quartinho um estoque de armazém, mas é pra gente abençoar outras crianças”, recordou o executivo comercial, Rodrigo Gaitolini. 

Hoje, ao lado do filho Davi, eles vivem pela segunda vez a experiência de receber um bebê em casa, uma passagem temporária, mas profundamente marcante para toda a família. “A gente tinha acabado de terminar as entrevistas e o curso. No dia seguinte já ligaram pra gente: ‘Tem uma bebê para acolhimento, vocês topam?’.Graças a Deus foi tudo muito melhor do que eu imaginava. Foi bem tranquilo mesmo. Ela se adaptou muito, a gente se apegou bastante. Mas chegou o dia de entregar”, lembrou Déborah.

“Aos poucos eu creio que Deus também vai auxiliar a gente a estruturar tudo, já que é um projeto que vem do coração dele”,acrescentou Rodrigo.

Famílias e voluntários aprovados para o acolhimento temporário de crianças e adolescentes recebem acompanhamento contínuo de uma equipe especializada. O suporte é oferecido em todas as etapas do processo, garantindo orientação, segurança e bem-estar.

A assistente social explica que o serviço foi criado como alternativa ao acolhimento e proporciona atenção individualizada. “Crianças e adolescentes que precisaram ser afastados de suas famílias temporariamente porque tiveram seus direitos violados, são colocadas em uma família acolhedora, que é uma modalidade de acolhimento”, apresentou a assistente social e do serviço Família Acolhedora, Leidiane dos Santos Costa.

No DF, atualmente, o grupo apto para passar por um lar temporário é superior a 400 entre bebês, crianças e adolescentes, mas apenas 30 foram acolhidos. “Ser família acolhedora não é adotar. O acolhimento é temporário. Nós aceitamos todas as configurações familiares. Então nós temos famílias monoparentais, nós temos casais mais idosos. É necessário que tenha disponibilidade, afeto, que entenda o seu papel cidadão”, reforçou a assistente. 

O carinho, o cuidado diário deixam marcas permanentes na vida dessas crianças, mas também naqueles que decidem, mesmo por um tempo, ser porto seguro na travessia de quem mais precisa. “Estender um pouco do nosso amor a outras crianças”, afirmou Rodrigo.

“E deixar que esse começo da vida dela seja lembrado por muita por muito afeto. Muito amor”,apontou Déborah.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content