Mais felizes

Pesquisa aponta que idosos estão mais otimistas em relação à vida

Psicóloga afirma, porém, que este sentimento pode variar de acordo com a faixa etária e explica como funciona o envelhecimento

Thiago Coutinho
Da redação

Para a maior parte dos idosos do país, a vida está melhor / Foto: Arquivo CN

A terceira idade tem encarado melhor a vida. Pelo menos é a conclusão a que uma pesquisa realizada em todas as capitais do país pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) chegaram: oito em cada dez idosos entrevistados, com mais de 60 anos, dão nota oito para o grau de felicidade que vivenciam no atual momento.

Ainda de acordo com a pesquisa, esses sentimentos assertivos e otimistas se devem a diversos fatores, entre eles: tranquilidade (36%), felicidade (30%), disposição para realizar atividades do dia a dia (22%), independência (20%) e produtividade para manter-se ativos (20%). Há ainda 18% de idosos que se consideram saudáveis e 12% que possuem planos para o futuro.

Segundo Luana Barbosa de Moraes, psicóloga que atua junto a um lar de idosos em Caçapava (SP) e é especialista em Psicoterapia Psicanalítica e Psicossomática Psicanalítica, este otimismo apontado pela pesquisa pode variar muito de acordo com o grupo de adultos mais velhos, que são classificados em: idoso-jovem (de 65 a 74 anos), idoso (75-84 anos) e os idosos mais velhos (acima dos 85 anos).

“Os do primeiro grupo são mais ativos e vigorosos, consequentemente, mais otimistas com relação à vida, o grupo que se encaixa mais nesta pequisa”, salienta Luana. “Já os idosos dos outros grupos são mais propensos a uma condição de fragilidade e doenças, têm dificuldades para realizar as tarefas do dia a dia, como pequenas limpezas em casa, ir ao banco ou supermercado, isso faz com que eles tenham uma visão mais pessimista em relação ao envelhecimento”, reitera.

Não aceitar o envelhecimento

Ao contrário do que se imagina, o envelhecimento não ocorre de forma distinta entre corpo e mente. Segundo a psicóloga, espera-se que a mente e o corpo da pessoa mais velha estejam em consonância. “Não é esperado que o idoso se sinta mal por envelhecer, espera-se que corpo e mente andem juntos para aceitar esta nova fase da vida”, explica.

Desta forma, deve haver um equilíbrio que a pessoa deve vivenciar e aceitar. “Esta nova fase da vida tem que ser recebida da melhor forma possível, em que o indivíduo consiga lidar de maneira equilibrada com suas mudanças físicas e cognitivas que a idade traz e vivenciá-las de maneira positiva”, afirma Luana.

Viver de forma saudável

Levar uma vida saudável, longe do sedentarismo e de uma alimentação ruim, são as dicas para se chegar à terceira idade e vivê-la com qualidade. “Mas isto tudo tem que ser feito antes de a pessoa chegar à terceira idade”, ressalta a psicóloga. “Se espero chegar à terceira idade para daí começar a cuidar da saúde, inevitavelmente terei que lidar com os prejuízos disto”, acrescenta.

A pesquisa realizada pela CNDL também mostrou que 68% dos idosos acessam a internet e que seis em cada dez deles fazem uso de celulares do tipo smartphone. As novas tecnologias podem ajudar, desde que este uso seja posto em prática de maneira ponderada. “O abuso no uso de tecnologia, em qualquer faixa etária, pode trazer prejuízos sociais e pessoais”, alerta Luana.

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Aplicativos que ajudam nas tarefas do cotidiano e as redes sociais podem ajudar o idoso a se sentir mais inserido à sociedade. “Eles se sentem mais aceitos. As redes sociais, por exemplo, ajudam a diminuir a depressão e solidão. A tecnologia estimula a memória, promove o diálogo e o intercâmbio social. Além disso, a tecnologia pode aproximar os idosos dos seus familiares, tanto pela oportunidade de comunicação com quem está distante, como pelo uso dela, pois geralmente quem ensina o idoso a usar são filhos e netos, e isso aproxima gerações”, assegura Luana.

Um exemplo desta nova realidade dos idosos é Marilha Pereira da Silva, de 84 anos. Ela não se sente intimidada pela idade e ocupa o dia com atividades culturais. “Vivo o dia a dia e procuro não me entregar em situação nenhuma”, afirma.

Dona Marilha utiliza a internet e telefones smartphones. Quando surge algum problema, recorre à ajuda dos netos. “Mas procuro resolver tudo que posso sozinha, vou ao banco, rua e dirijo normalmente, mesmo com toda a idade que tenho”, pondera.

Quando questionada acerca de seus sonhos e vontades que ainda não realizou, Dona Marilha é taxativa: “quero ajudar meus netos”. “Preciso fazer isso, mas já fiz de tudo em minha vida: fui professora, enfermeira, trabalhei seis anos como voluntária, gosto de música, já fiz de tudo um pouco”, finaliza.

 

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