DOCUMENTO

Ministério da Saúde lança nova versão da Caderneta da Gestante

Caderneta possui instruções de aborto e Conselho Federal de Medicina pede por ajustes 

O Ministério da Saúde lançou uma nova versão da Caderneta da Gestante, documento usado no acompanhamento do pré-natal. As mudanças no conteúdo provocaram reações entre entidades médicas e grupos ligados à defesa da vida.

Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro

 

Uma das primeiras palavras pronunciadas pelos bebês é ‘mama’, uma referência direta à figura materna. Mas ser mãe vai muito além de uma palavra. É um dom concedido por Deus e uma das missões mais desafiadoras e preciosas, confiadas às famílias. 

A nossa colega de jornalismo, Gabriela Matos, vive essa experiência pela primeira vez há pouco mais de um mês. “É algo assim surreal. Ele reconhece o meu cheiro, ele reconhece a minha voz, o meu colo passa segurança, alento, é o que ele precisa. Eu acho que o termo mãe é realmente de Deus. Ser mãe é o mais próximo que o ser humano consegue chegar do divino”, relatou a mãe, Gabriela Matos.

Para orientar a jornada da maternidade, o Ministério da Saúde elabora a caderneta da gestante. O material reúne orientações para as mães e registros sobre a saúde da mulher e do bebê. Na semana passada, o governo lançou uma nova versão do documento com a inclusão do termo pessoas que gestam e novas orientações sobre o aborto.

As mudanças foram um alvo de críticas por parte de entidades e especialistas que consideram que um novo texto retira o protagonismo da mulher na maternidade e abre espaço para a discussão sobre o aborto. 

O termo pessoas que gestam aparece três vezes na caderneta. Um dos trechos é dedicado à interrupção da gravidez e orienta que a gestante procure o Sistema de Saúde caso esteja enfrentando sofrimento ou insegurança em relação à gestação.

O Conselho Federal de Medicina publicou uma nota técnica pedindo a revogação das alterações no documento. “Você praticamente induz aquela mulher a procurar e a desejar um aborto. Coisa que é inaceitável numa caderneta da gestante, que eu volto a repetir, é de alguém que já decidiu ter seu filho, está fazendo um pré-natal, que é algo absolutamente fundamental para que mãe e bebê cheguem saudáveis no momento do parto”, evidenciou o obstetra e conselheiro do CFM, Raphael Câmara.

A defesa da vida, desde a concepção até a morte natural, está presente em diversos documentos da Igreja como um valor inegociável. 

A Legislação Brasileira também garante, no texto constitucional, o direito inviolável à vida. “A defesa da vida exige políticas públicas eficazes de prevenção, acolhimento e cuidado integral e não a ampliação de práticas que eliminem a vida antes mesmo de nascer”, concluiu o secretário- geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers.

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