EMBARGO

Governo tenta reverter proibição de carne brasileira na Europa

Setor agropecuário busca comprovar segurança sanitária dos produtos

Um mercado estratégico para o Brasil entrou em alerta. O governo busca alternativas para evitar o embargo da União Europeia à proteína animal brasileira, previsto para começar em setembro. Entenda na reportagem.

Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro

 

O Brasil e mais 20 países entraram na lista de embargos da Europa para a exportação de proteína animal. Carne bovina de frango, peixe, cavalo, tripas e mel não vão poder entrar no mercado europeu a partir do dia 3 de setembro. Em 2025, os produtores brasileiros negociaram quase 2 bilhões de dólares em carne com a Europa. É o quarto maior destino da pecuária do país. 

Representantes do Ministério da Agricultura e do setor privado buscam atestar a qualidade e a segurança dos produtos brasileiros. O Ministério de Relações Exteriores negocia com os europeus a reversão da medida. O bloco sinalizou que pode rever a decisão caso o Brasil consiga comprovar o cumprimento das exigências sanitárias estabelecidas pela Europa. 

No documento enviado ao Brasil, a União Europeia afirma que o país não adotou as medidas necessárias para proibir o uso de medicamentos antimicrobianos destinados à promoção do crescimento ou aumento da produtividade animal, bem como de substâncias reservadas ao tratamento de determinadas infecções.

“Vale lembrar que em outros momentos, em outros anos, a mesma coisa aconteceu e o Brasil reverteu essa situação. Em termos de preço também não terá um impacto imediato, tendo em vista que a União Europeia não é o principal comprador das carnes do Brasil”, ressaltou o professor de Direito Internacional, Murilo Borsio Bataglia. 

A decisão veio meses depois da assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A aliança comercial está em vigor de forma provisória e há forte pressão do setor agropecuário europeu contra os produtores brasileiros. “Esta decisão ocorre em um contexto de forte pressão dos produtores europeus contra a concorrência do agro-brasileiro. Por isso, a medida parece ser também um componente protecionista. O Brasil é um dos maiores exportadores de proteína animal no mundo”, concluiu o economista, José Eustáquio Ribeiro.

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