PERCEPÇÃO

Exposição desafia lógica e faz o público duvidar dos próprios olhos

Você acredita em tudo o que os seus olhos veem? Em Belo Horizonte, uma exposição vem mostrando que a resposta pode ser “não”. No Museu das Ilusões, ciência e diversão se unem para desafiar a percepção e mostrar como o cérebro interpreta e, às vezes, até distorce a realidade

Reportagem de Vanessa Anicio e Luiz Gustavo Rodrigues

Aqui nada é exatamente o que parece. Já na entrada, o visitante é convidado a deixar a lógica de lado e embarcar em uma experiência que brinca com os sentidos. Painéis em três dimensões, cenários invertidos e efeitos visuais fazem parte do percurso que desperta a curiosidade de crianças e adultos.
“Gostei muito de uma que é também meio que um túnel, aí fica você de um lado e a pessoa do outro e aí tem um túnel preto. Aí aparece várias pessoas do lado assim. Achei muito legal”, contou Ana Mattos.

“O curador da da exposição começou a perceber que as pessoas tinham muita atenção a tudo que era ilusão de ótica em várias exposições”, afirmou a coordenadora do Museu das Ilusões, Melissa Bernardo.

Entre as atrações mais procuradas estão os ambientes que alteram a percepção de tamanho, equilíbrio e profundidade. Inspirado em museus de ciência e ilusão de ótica de diversos países, o acervo, que passou por mais de 50 cidades em todo o Brasil, reúne obras clássicas e criações desenvolvidas por artistas brasileiros.

“Vi no Instagram e eu já tinha vindo uma vez, só que na de São Paulo. Achei muito legal, achei que ia ter coisa diferente e eu quis pedir pra minha mãe. Legal”, disse Antônio Mattos, de 9 anos.

“Antônio, eu estou achando essa posição que a gente está um pouquinho incômoda. Eu vou pedir pro cinegrafista, por gentileza, virar a imagem. Ai, ficou mais confortável”, comentou a repórter. “Ficou bem melhor”, concordou a criança. “E qual foi a atração que mais te chamou atenção aqui?”, retomou ela. “Ah, que parece que você tá com zero gravidade”, completou Antônio.

Cada ambiente apresenta fenômenos que nos ajudam a explicar como que o nosso cérebro interpreta as imagens captadas pelos nossos olhos. O resultado são situações curiosas, engraçadas, que despertam boas risadas e até questionamentos sobre o que realmente estamos vendo. “Luís, teve alguma atração que fez você voltar para conferir se os seus olhos não estavam te enganando?”. “Achei muito interessante foi a sala invertida que eu estava lá com os meninos e a parte dos espelhos também, as pirâmides. Muito legal”, opinou o motorista Luiz Silva.

“E será que o pessoal de casa está acreditando no que eles estão vendo agora? Luís, por favor, chega aqui perto de mim pro pessoal entender que, na verdade, o Luís não é pequenininho. Eu que sou pequenininha da história”, reforçou a repórter. “Pois é. É, engano. Ilusão ótica. Impressionante. Muito legal os efeitos”, emendou o motorismo.

E é essa mistura entre ciência e diversão que transforma cada espaço em uma descoberta diferente. “O cérebro sempre vai adaptar as imagens por aquilo que a gente já tem programado. E é justamente isso. A gente acha, a gente vê o mundo de uma forma e nem sempre é aquilo. A gente sempre consegue, e eu sempre falo que a gente consegue tirar de tudo uma experiência legal e agradável”, concluiu a coordenadora.

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