AVALIAÇÃO INTERNACIONAL

Educação brasileira continua com desempenho baixo no PISA 2025

Avaliação internacional aponta dificuldades em matemática, leitura e ciências e expõe desigualdades educacionais

O Brasil mantém desempenho baixo no PISA, avaliação internacional que mede o conhecimento de estudantes de 15 anos. Os resultados de 2025 mostram estabilidade em relação a 2022, mas revelam um grande desafio para a educação brasileira.

Reportagem de Aline Campelo e Sanny Alves

Em matemática, foram 408 pontos. Menos de 30% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível mínimo de proficiência. Na média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, esse percentual chega a 65%.
“Os resultados mostram fragilidades importantes na construção e principalmente na consolidação de conhecimentos matemáticos fundamentais. Isso aparece, por exemplo, quando o estudante consegue reproduzir um procedimento que foi ensinado, mas encontra dificuldades diante de uma situação diferente na qual ele precisa interpretar”, explicou a professora e especialista em avaliação na Educação Matemática dos Anos Iniciais, Ildenice Lima Costa.
Outro dado chama a atenção: quase metade dos estudantes brasileiros ficou abaixo do nível mínimo de proficiência, simultaneamente em ciências, matemática e leitura. “Ainda para uma aprendizagem baseada na compreensão e na capacidade de mobilizar conhecimentos”, reforçou ela.
O PISA realizado pela OCDE avaliou nesta edição de 2025 mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias diferentes. Segundo a organização, Matemática e Leitura atingiram entre os países as menores médias já registradas neste programa internacional de avaliação de estudantes.
“Sabemos por outras avaliações nacionais, como o IDEB, que a desigualdade regional é estrutural. Os melhores desempenhos em matemática na rede privada se concentram em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Tocantins e São Paulo, enquanto Pará, Amazonas e Alagoas aparecem nas últimas posições. Isso reforça que o PISA também capta de forma indireta, pela variável socioeconômica a desigualdade educacional no Brasil”, analisou o professor e mestre em Educação pela UnB, Paulo Vinicius Pereira de Lima.
Diante desse cenário, especialistas em educação apontam caminhos para reduzir as desigualdades educacionais. “Nós precisamos principalmente de políticas públicas que ampliem e sustentem as ações dos professores. Nós não podemos colocar exclusivamente sobre a escola e sobre o professor a responsabilidade por enfrentar problemas que também são estruturais”, retomou Ildenice.
“A questão é escalar essas condições para um sistema como um todo”, completou Paulo.

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