Em audiência com monjas contemplativas dominicanas nesta quarta-feira, 30, Leão XIV enfatizou valor do silêncio em meio a sociedade caótica
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV em oração / Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane/Pool
O Papa Leão XIV recebeu em audiência nesta quarta-feira, 30, os membros da Comissão Internacional das Monjas Contemplativas Dominicanas.
No início de seu discurso, o Pontífice manifestou sua alegria pelo encontro “pouco tempo depois do reconhecimento das virtudes heroicas da Serva de Deus Irmã María Petra Giordano, monja professa da Ordem dos Pregadores, que fez da fé e da vocação os pilares de sua vida consagrada”.
“A fé e a vocação também podem guiar este nosso encontro”, prosseguiu o Santo Padre, “para reafirmar que a vocação contemplativa, no espírito dominicano e em toda a Igreja, não se situa à margem da missão, mas é o seu próprio coração.”
Mosteiro, local de encontro com o Senhor
Leão XIV ressaltou como, nos escritos de Jordão da Saxônia, sucessor de São Domingos de Gusmão, que fundou a Ordem dos Pregadores, é relatada a presença das monjas das primeiras comunidades femininas. “Dedicando-se primordialmente à oração contemplativa e ao estudo, elas acompanhavam a pregação dos frades com penitência, participando do mesmo carisma”, sinalizou.
O Papa frisou que, segundo São Domingos de Gusmão, “toda palavra de anúncio, para ser verdadeira, deve ter sua origem no silêncio, na escuta, na oração e numa profunda relação com Deus”. Neste contexto, apontou que as visitas aos mosteiros devem ser momentos de encontro comum com o Senhor: na oração, na escuta recíproca, na correção fraterna e na reconciliação.
O valor do silêncio
O Pontífice também enfatizou o valor do silêncio que, cultivado fielmente, é valioso para que as religiosas, além de salvaguardar sua observância e promover a tranquilidade no mosteiro, possam voltar sua atenção às irmãs dentro da comunidade e fora dela. “O silêncio é um ato de vontade, que envolve a pessoa por inteiro, e ajuda a viver relações sólidas porque estas são nutridas pela Palavra de Deus”, expressou.
“No silêncio, de fato, as perguntas que cada pessoa se faz, mas que nem sempre são fáceis de responder sozinhas, encontram ouvidos atentos”, acrescentou o Santo Padre. “Portanto, é necessário que suas comunidades ofereçam oásis de paz verdadeira e profunda, onde a ansiedade caótica ligada às coisas externas se aquieta e se pode escutar a voz de Deus”.
Fogo que arde e não pode se apagar
Leão XIV também citou situações difíceis a serem enfrentadas pelas monjas, como comunidades em declínio, mortes que superam as novas vocações, diminuição da capacidade de trabalho, e gestão de grandes e dispendiosas propriedades, além de desafios como a formação compartilhada, a interculturalidade e a organização das estruturas de comunhão.
Diante disso, o Papa as exortou “a não se perguntarem como manter estruturas que se tornam vazias”, mas a escutarem “o que o Espírito pede hoje à vida contemplativa dominicana, conscientes de que, antes de qualquer tarefa a ser realizada, há um chamado ao qual responder, um fogo que arde e não pode ser deixado apagar, como disse Santa Catarina de Sena”.
O Pontífice concluiu seu discurso frisando que o serviço das monjas dominicanas à Igreja é precioso e animando-as a perseverar. “Continuem a prestá-lo com confiança, em comunhão e com discernimento, unidas, mas sem se uniformizar, fiéis à tradição e abertas à novidade, contemplativas porque são capazes de levar o mundo diante de Deus”, finalizou.




