EM TAUBATÉ

Conheça histórias de quem transformou a vida com a arte figureira

Renato se encontrou na arte de esculpir figuras

Uma tradição que percorreu gerações e transformou uma cidade do Vale do Paraíba em refúgio para a arte popular. Estamos falando de Taubaté, no interior paulista, que há 150 anos conta com a presença da arte produzida por figureiros. Nesta reportagem, vamos conhecer histórias de pessoas que tiveram a vida transformada por esta prática.

Reportagem de Emerson Tersigni e Ederaldo Paulini

 

Cada grão de argila carrega a história dos 150 anos da presença figureira em Taubaté. Quem teve a vida alcançada há 52 anos foi o Eduardo, que mesmo durante a entrevista não deixou de fazer o que mais ama. 

“Fiz a minha primeira peça com 7 anos de idade e estou começando, sem querer, fazer ele. Um galo, uma galinha e coloquei dois pintinhos. Fiz, vendeu a peça, a tia falou: ‘tem um dinheirinho para você’”, recorda o artista. “E como uma criança, daquilo que eu fiz, aquele bichinho que fiz e daquele dinheiro, comprei picolé, comprei doce, comprei refrigerante. Então foi um estímulo, uma um estímulo para a criança”. 

Desde 2008, o local é reconhecido como ponto de cultura pelo Governo do Estado de São Paulo. E não é só venda de produto que acontece, mas também discussões acadêmicas, dando consulta para quem quer fazer trabalho sobre as figuras.

“Então, a gente conta tudo, tem publicações que as pessoas podem utilizar e também é o único lugar onde as pessoas podem comprar, adquirir, ter gifs sobre a cidade de Taubaté”, afirmou a coordenadora do Ponto de Cultura, Lani Goeldi. 

A fé se destaca em meio às prateleiras, presépios natalinos feitos a partir da característica figureira, bonecos que representam uma procissão com direito a andor de Nossa Senhora e a representação do Espírito Santo, os famosos Divinos.

Junto dos mais variados padroeiros estão o pavão, símbolo do artesanato paulista, as galinhas e o homem do campo, devidamente representado. E tem mais novidades também na área da ilustração. 

“Esse livro nasceu eh com a intenção de contar a história do pavão azul para as crianças, Por que que ele virou o símbolo do artesanato paulista? Quem o criou? Quem foi a dona Cândida figureira? Então assim, foi um projeto muito bonito que a gente viu um resultado assim marcante, principalmente nas escolas. Virou desenho animado, tá aí à disposição no YouTube para quem quiser assistir e a gente tá dando continuidade com outras personalidades também de Taubaté, contando um pouquinho dessa história, desse berço cultural para todas as crianças, que se interessam pela nossa cultura”, contou a arquiteta e ilustradora Giovanna Goeldi. 

E se perguntarem o que a arte figureira representa para o Eduardo, a resposta é lúdica. “O dinheiro a gente precisa, mas faz de conta que ganhei na mega sena e tenho essa felicidade de estar fazendo isso. Isso simboliza todo o sentimento que eu faço esse trabalho com muito carinho”, concluiu.

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