MORADIA

Condomínio chega a 40% do valor do aluguel no Rio

Alta nas taxas de condomínio exige planejamento das famílias antes da escolha do imóvel

A taxa de condomínio ficou mais cara em quase todo o Rio de Janeiro e, em alguns casos, já representa uma parcela significativa do valor do aluguel. Um levantamento do Secovi-Rio mostra que, em determinados imóveis, a despesa chega a mais de 40% do aluguel residencial. E entre os principais fatores estão gastos com água, segurança e inadimplência.

Reportagem de Vinícius Cruz e Jairo Rec

 

Em maio deste ano, Gabrielle e Gustavo mudaram de endereço. Com o primeiro filho, Gerard, de um ano, escolheram um condomínio em Piedade, na zona norte do Rio.
A proximidade do trabalho de Gustavo motivou a mudança. A ideia era reduzir o tempo no trânsito e ganhar mais tempo juntos.

“Antes ele saía, de madrugada, 4 horas da manhã, 4:30, e a gente não tinha nenhum momento junto pela manhã. E hoje a gente consegue tomar café da manhã juntos. E o mais importante pra gente também é que a gente consegue fazer o nosso culto familiar. Então a gente lê a Bíblia junto, nós oramos juntos”, contou a professora, Gabryelle Marcela.

Além do aluguel, o condomínio também entrou na conta, despesa que tem aumentado acima da inflação em grande parte dos bairros pesquisados pelo Secovi Rio. De julho de 2025 a junho de 2026, o maior aumento foi registrado no centro de 11,8%. O IPCA acumulado no período ficou em 4,64%.

E o peso dessa despesa pode ser ainda maior. Na zona norte do Rio, por exemplo, o condomínio representa 40,7% do valor do aluguel residencial. Depois do centro, os maiores aumentos foram no Jardim Botânico, 9,3%, e Botafogo, 8,9%. Em Campo Grande a alta foi de 4,2% e na Lagoa 3,3%.

Entre os fatores que pressionam os custos estão água, manutenção, segurança, tecnologia e portaria. A inadimplência também pesa nas contas dos condomínios. “A gente tem uma taxa de condomínio bem elevada, metade do valor do nosso aluguel. Eu nem nem pagava aluguel em Bangu, era casa da família. Então assim, a gente teve que se preparar bastante, apertou bastante o nosso orçamento”, comentou o funcionário público, Gustavo Wanderley.

Segundo o Secovi Rio, o impacto pode ser ainda maior nos imóveis comerciais. A taxa de condomínio pode chegar a 85,6% do valor do aluguel. Especialistas orientam que o cálculo não deve considerar apenas o aluguel. É preciso colocar na conta o condomínio, IPTU, água e outras despesas fixas.

“Um dos maiores fatores que levaram o Rio de Janeiro, especialmente os condomínios não residenciais, a terem um aumento absurdo, muito além da inflação, é a conta de água aqui no Rio de Janeiro. No passado, a conta de água nos condomínios representava de em torno de 6 a 8% do orçamento. Hoje a gente encontra a conta de água ultrapassando os 45%”, afirmou o vice- presidente de condomínios do Secovi- Rio, Roberto Bigler.
Para Gabrielle e Gustavo, a mudança trouxe mais tempo para acompanhar o crescimento do pequeno Gerard. Mas como para tantas outras famílias, é preciso planejamento para que a taxa de condomínio não pese demais no orçamento. “Metade do valor do aluguel é bem pesado num orçamento familiar, mas eu acredito que vale a pena pelo tempo com a família mesmo”, concluiu Gustavo.

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