EM APARECIDA

Bispos reafirmam o enfrentamento aos abusos e apoio às vítimas

Assembleia destaca pontos de mudança na Ação Evangelizadora no Brasil

Em mais um dia de atividades na Assembleia dos Bispos, aqui na Terra da Padroeira do Brasil, o compromisso com a proteção da dignidade humana foi tema de uma coletiva que reuniu autoridades da Igreja. Entre os assuntos discutidos, a importância de fortalecer ações de prevenção, de combate aos abusos e de apoio às vítimas.

Reportagem de Isaque Valle e Ederaldo Paulini

A coletiva de imprensa dessa terça-feira teve a presença do presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, do presidente da Comissão Especial para a tutela de menores e adultos vulneráveis da CNBB, Dom Wellington de Queiroz Vieira, e da presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil, irmã Maria do Desterro.

Dom Jaime falou de como os abusos sexuais geram feridas nas vítimas e em toda a sociedade. “E quando nós abordamos a questão dos abusos, precisamos de muita transparência e, eu diria também, humildade”, afirmou o presidente da CNBB. 

Dom Wellington alertou que a preocupação da Igreja com o tema é tanta que ultrapassa o ambiente eclesial. Ele também apresentou um panorama de como os casos se apresentam. “67 a 70% dos abusos ocorrem dentro do ambiente familiar. Desses, a gente pode ampliar 80% a 90%. Os números falam que esses abusos ocorrem num ciclo de conhecidos. 

Números ligados ao clero, números da Santa Sé nos indicam 1,5 a 2% do clero no mundo estaria estaria algum tipo de envolvimento com abuso sexual”, explicou o bispo da Diocese de Cristalândia(TO), Dom Wellington de Queiroz Vieira.

Há exatamente um ano, o mundo acordava com a notícia do falecimento do Papa Francisco. Seu legado de luta pela defesa dos mais vulneráveis foi lembrado durante a coletiva, com especial destaque para a valorização da dignidade humana, tão enfatizada durante seu pontificado. 

Irmã Maria também coordena o núcleo Lux Mundi, criado para atender a solicitação do então pontífice para que a Igreja atue firmemente diante dos casos de abuso. Ela também destacou a força da coletividade no enfrentamento do problema. “Ninguém pode ficar por fora, ninguém pode, nós não podemos dizer: ‘Essa pessoa não não pode ser acolhida porque tem isso ou aquilo’”, apontou a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil. 

Grandes desafios que não permitem o silêncio do episcopado. Os bispos têm atuado para que os protocolos de proteção às vítimas sejam postos em prática. “É fundamental que as Igrejas locais tenham um canal de informação, um canal de denúncia. Caberá ao bispo, por exemplo, uma investigação prévia, um processo canônico, um afastamento daquela pessoa do ofício, seja um religioso, padre, seja um leigo, um catequista”, concluiu Dom Wellington. 

É a Igreja demonstrando unidade contra os abusos, sem deixar que o silêncio prevaleça sobre a verdade e a justiça.

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