DIVERSIDADE

Assembleia Geral reuniu bispos com variadas realidades

Comunhão de comunidades e expressão do Evangelho nos atos diários marcaram os dias de Assembleia 

A reunião do episcopado brasileiro concentrou em um só lugar bispos das mais variadas realidades. Prelados de norte a sul do país, de diversas ordens e congregações religiosas, partilharam suas vivências, demonstrando uma igreja que expressa unidade em meio Às diversidades.

Reportagem de Isaque Valle e Ederaldo Paulini

 

373 bispos, 373 histórias. A assembleia reúne em único lugar diversas ordens e congregações religiosas. O capuchinho Dom Cláudio Nori Sturm dá uma verdadeira aula sobre a sua ordem. 

“É um dos ramos da primeira Ordem Franciscana. Temos os conventuais, os menores e os capuchinhos, todos inspirados na mesma regra de Francisco e tem cada uma a sua constituição. Nós, inclusive, na nossa reforma das constituições, pedimos o privilégio de nós sermos chamados não uma ordem clerical, mas uma ordem de irmãos”, falou o bispo de Patos de Minas(MG), Dom Cláudio Nori Sturm. 

Sua história com São Francisco nasceu ainda na juventude. “Da Província do Rio Grande do Sul e eles mandavam às vezes algum brinde, uma história de São Francisco, um livro e eu li aquilo, eu gostei. Então dá para seguir Jesus desse jeito”, apontou o bispo da Prelazia de Lábrea(AM), Dom Santiago Sánchez Sebastián. 

E você já ouviu falar sobre os agostinianos recoletos? Dom Santiago Sanchez Sebastiano explica pra gente. “Nós tentamos naquele momento, voltar à regra de Santo Agostinho radical porque, pois estávamos muito misturados com a vida pastoral e esquecemos o que era o fundamental, que era a vida comum, a vida contemplativa e desde aí, segundo o lema de Santo Agostinho, ‘onde a Igreja precisar’”, confirmou ele.

Vocação que nasce na simplicidade de uma pequena cidade do interior da Espanha. Em Santo Agostinho, Dom Santiago enxergou o caminho que o leva a Cristo. 

Em um Brasil continental, a Assembleia é oportunidade para bispos de diversas regiões do Brasil compartilharem suas realidades pastorais locais, partilha que enriquece os debates e demonstra a unidade da Igreja em meio às diversidades.

Dom Santiago vive todos os dias a missão de evangelizar no Brasil profundo. Sua prelazia no interior do Amazonas convive com desafios pastorais significativos. “Temos 222.000 km² de prelazia. Tudo dentro do mato, dentro da selva. E o método de comunicação é o Rio”, relatou Dom Santiago. 

Na outra ponta do país, Dom Jorge Pierosan encontra desafios parecidos adaptados à realidade da região sul. “No extremo, na divisa com Uruguai, nós temos a Diocese de Rio Grande com muita água. De um lado, Oceano Atlântico, do outro lado, várias lagoas e no meio, uma faixa de terra, então estreita faixa de terra, onde me faz demorar de uma ponta a outra da diocese demorar 7 horas para atravessar”, expressou ele. 

Para ele, o bom humor é a chave da superação. Até mesmo o futebol é utilizado para evangelizar. “Os coroinhas foram na frente, logo atrás vieram os ministros e eu estava indo também com meu bácoro seguindo. Os meninos jogavam bola aí do lado, era um lugar aberto. O menino rolou a bola na minha direção e falou: ‘Chuta, bispo, chuta, bispo, chuta nada’. Eu aqui mostrei para eles, devolvi, depois brinquei. Teve alguém que disse: “É melhor fazer uma brincadeira com as crianças aqui assim do que 27 minutos de homilia”, compartilhou o bispo. 

Em ano de Copa e na busca pelo hexa, Dom Jorge deixa um recado para o técnico da seleção brasileira. “Se o Ancelotti precisar arrumar o meio de campo, temos uma possibilidade, um bispo de 90 kg, mas ainda dominando a bola direitinho, tendo visão de jogo, fazer os lançamentos pro Vini Júnior ali. É um jogador caro, temos ali na nossa diocese. Eu não sei quem é, mas eu tô falando que existe o jogador lá”, concluiu Dom Jorge.

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