PRÓPRIA HISTÓRIA

Reportagem conta uma história em que o futebol vai além da competição

Time de futebol descendente de indígenas destaca cultura e envolvimento com o esporte

Na última reportagem da série Originários, o campo deixa de ser apenas lugar de competição. Entre sonhos, escolhas e raízes, nossa reportagem conta a história de uma equipe que encontrou no esporte uma forma de seguir escrevendo a própria história.

Reportagem de Alan Toledo e Ederaldo Paulini

 

No episódio anterior, acompanhamos a vida na aldeia Mata Verde Bonita e a história de um povo que luta.

O dia amanhece diferente. Antes dos preparativos, é preciso se inspirar com gols históricos da maior seleção do mundo. Na concentração, é hora de somar forças com as raízes antes de uma batalha importante. O jogo é fora de casa. Um a um, os atletas se dirigem ao ônibus. No trajeto, a calmaria supera a ansiedade. No vestiário, a preleção ganha o reforço da oração. Em parceria com o Ceres Futebol Clube, os atletas entram em campo.

“O que os meus amigos que são do futebol sempre falam é: ‘O time de vocês não para de correr, mas eles não conseguiram entender ainda que o sangue aqui é diferente. É um time 100% indígena. E a história do povo indígena é o quê? Eles morrem lutando, mas não se entregam”, destacou o presidente do Ceres, Winston Soares.

“Acredito que esse time ainda pode evoluir muito no processo de jogo. Então assim, à medida que o campeonato vai seguindo, acredito que esse grupo vai crescer bastante e acho que a gente tem muito a surpreender e muito a fazer história ainda”, contou o treinador do Originários, Humberto Silva. 

Palavras que atingem o coração como uma flecha. Nem toda a batalha começa com vantagem. O Profut Itaboraí, adversário do dia, abre o placar. 

Com talento, perseverança e orgulho das próprias raízes, o Clube Ceres Originários mostra que dentro de campo a vontade fala mais alto e segue fazendo história na Série C do Campeonato Carioca. 

Tailã, camisa nove, marca o gol de empate. Coube ao capitão Carlos virar o placar. E na categoria do camisa 10, Pedrinho, o Ceres Originários faz o terceiro. Nem mesmo o segundo gol adversário mudou o destino de quem nasceu para vencer. 3 a 2 é o placar final. 

Ao lado da torcida, é hora de agradecer e comemorar, porque algumas vitórias nascem primeiro dentro do coração. “Conseguimos buscar os nove pontos fora de casa. É grato também pelo gol, mais um gol de de virada, poder ajudar minha equipe é gratificante demais. E é isso, o terço aqui é com a graça de Deus eu levo para onde eu vou. A fé que eu tenho é muito grande e trabalhar agora pro jogo de volta, buscar os outros três pontos. Fé em Deus”, confirmou o capitão do Originários, Carlos Guajajara.

Dentro das quatro linhas, o Esporte Clube Originários mostra que quando identidade e propósito caminham juntos, sonhar deixa de ser limite e passa a ser destino.

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