A diretora regional da Iniciativa Estratégica para as Mulheres no Chifre da África, Hala Alkarib, fala sobre a importância de transformar palavras em ações
Da redação, com Vatican News

Hala AlKarib, diretora regional da Iniciativa Estratégica para as Mulheres no Chifre da África / Foto: Reprodução Youtube Vatican Media
Quarenta anos após o histórico encontro do “Espírito de Assis”, no qual o Papa São João Paulo II enfatizou que “a paz é um valor sem fronteiras”, a cidade de São Francisco tornou-se, mais uma vez, um lugar de diálogo entre pessoas de diferentes culturas, línguas e crenças.
O Encontro Internacional pela Paz, com o tema “Paz sem armas e que desarma” — inspirado na mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz de 2026 —, teve início na tarde de 25 de outubro.
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Uma das oradoras na sessão de abertura foi Hala AlKarib, diretora regional da Iniciativa Estratégica para as Mulheres no Chifre da África, organização que trabalha para documentar e denunciar violações dos direitos humanos.
Em entrevista ao Vatican News, à margem do encontro, ela destacou a importância do trabalho de construção da paz em um “contexto global extremamente hostil, que favorece a ocorrência de violência”.
A violência se alastra
Hala AlKarib expressou a esperança de que este encontro internacional tenha lançado luz sobre as questões da violência e dos conflitos ao redor do mundo.
No Sudão, especificamente, a situação é gravíssima: mais de 250 mil civis foram mortos nos quatro anos desde o início do conflito. Casas, igrejas, mesquitas e museus foram saqueados, e a violência sexual e de gênero tornou-se cada vez mais frequente.
O perigo, segundo ela, é que “isso não está acontecendo apenas no Sudão. Está se espalhando para outras partes do Chifre da África”.
É aqui, afirmou ela, que as instituições de base religiosa precisam estar mais engajadas.
Alcançar uma paz sem armas — uma paz que promova o desarmamento — exige colocar o ser humano no centro. “Trata-se da humanidade. Trata-se da nossa existência, de viver em paz, de compartilhar os recursos que temos e de proteger nosso meio ambiente e nossos ecossistemas”, observou a Sra. Alkarib.
Essas mensagens são fundamentais no processo de construção da paz, destacaram. Sem elas, “toda a questão acaba tratando a vida humana de forma puramente transacional. Já passou da hora de as instituições religiosas — que representam uma força muito poderosa — manifestarem suas posições, fazerem ouvir suas vozes e se unirem em prol do bem da humanidade”.
Esperança para o futuro
A Sra. Alkarib alertou que a humanidade se encontra em “uma situação extremamente perigosa e muito grave”.
No entanto, este encontro internacional em Assis, que reúne pessoas de diferentes religiões, culturas e trajetórias, serve como ponto de partida para o diálogo — e, mais ainda, para ações concretas. A Sra. Alkarib enfatizou que espera que os “belos discursos” proferidos na cerimônia de abertura não fiquem apenas nas palavras, mas que se transformem em ações.
Ela espera que “pessoas de diferentes tradições religiosas se unam e pensem estrategicamente sobre como podem cultivar o poder que possuem para impulsionar, de forma séria, a construção da paz”.
Embora a tarefa não seja fácil, a Sra. Alkarib ressaltou que essa é uma responsabilidade de todos os presentes no encontro em Assis — e além dele: levar a sério esses passos e os apelos à ação que surgiram por meio dos testemunhos compartilhados na abertura deste encontro.




