O arcebispo de Marselha pede um retorno à paz após os distúrbios que abalaram a França nos últimos dias, condenando a violência como “inaceitável”
Da redação, com Vatican News

Cardeal Jean-Marc Aveline, Arcebispo de Marselha / Foto: Reprodução Youtube RCF Notre Dame
“Peço encarecidamente a todos que não se deixem arrastar para a espiral desta violência. Junto com todos os fiéis, rezamos para que esses distúrbios cessem e a paz retorne.”
Este foi o apelo feito pelo Cardeal Jean-Marc Aveline, Arcebispo de Marselha, em uma declaração publicada no site da Arquidiocese de Marselha, após mais um dia de confrontos e embates na capital e em outras cidades francesas, no sábado, 17 de outubro.
“Nosso país merece algo melhor”
“Violência inaceitável” — foi assim que o Cardeal Aveline descreveu a situação, que lembra uma guerra urbana e tem deixado a França em estado de alerta há vários dias.
“À margem das manifestações planejadas, lojas foram saqueadas, igrejas tiveram suas portas forçadas, a prefeitura foi invadida e vandalizada, uma delegacia de polícia foi depredada e membros das forças de segurança foram atacados”, explicou ele.
Em nome da Igreja em Marselha, ele expressou “apoio e solidariedade aos feridos e aos comerciantes que foram vítimas desses atos de vandalismo”.
O Cardeal também pediu que as pessoas rezem para que os confrontos terminem o quanto antes e para que a paz seja restaurada.
“Nossa cidade e nosso país merecem algo melhor do que isso”, concluiu.
Enquanto isso, a prefeitura local proibiu manifestações na cidade entre o meio-dia e as 20h do dia 19 de outubro.
Arcebispo de Lyon: Enfrentando juntos os desafios da sociedade
O Arcebispo de Lyon, Olivier de Germay, expressou sentimentos semelhantes em uma publicação na rede social X, manifestando sua solidariedade aos “comerciantes, agentes das forças da ordem e a todos aqueles que foram vítimas desses excessos”, incluindo “aqueles que desejavam manifestar-se pacificamente”.
A violência que eclodiu no sábado, na capital da região de Auvergne-Rhône-Alpes, acrescentou ele, “ultrapassa, e muito, os limites de uma manifestação na qual reivindicações legítimas podem ser expressas”.
A cidade, segundo o Arcebispo, foi palco de “confrontos inaceitáveis, ódio, destruição e saques”.
Os protestos não devem ser ignorados, explicou ele, pois “essa violência também é um sinal de uma sociedade em sofrimento”. No entanto, a violência não é o caminho para fazer com que as reivindicações sejam ouvidas. “É um beco sem saída e só pode levar a ainda mais injustiça e divisão. Enfrentaremos os desafios que se apresentam à nossa sociedade não nos voltando uns contra os outros, mas permanecendo unidos”, enfatizou o arcebispo de Germay.
O arcebispo exortou as pessoas a rezarem “pela paz” e a se tornarem “promotoras da paz”.
Falhas no fim de semana
O governo francês assumiu a responsabilidade pelos acontecimentos. “Neste fim de semana, falhamos, inegavelmente”, declarou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, expressando seu apoio ao ministro do Interior, Laurent Nuñez — apesar das falhas na manutenção da ordem pública.
Nuñez, que admitiu que as autoridades “perderam o controle das multidões em várias cidades”, apresentou seu pedido de demissão ao presidente Emmanuel Macron, mas este foi rejeitado.
Em um pronunciamento à nação na noite de domingo, Macron falou em “raiva e vergonha”, ao mesmo tempo em que reconheceu as preocupações dos estudantes. Ele pediu às forças políticas que demonstrassem “unidade” e prometeu adotar uma postura firme contra os responsáveis pela violência. “Aqueles que destruíram devem pagar”, afirmou.
A dimensão dos danos está se tornando cada vez mais clara. Alain Di Crescenzo, presidente da rede de Câmaras de Comércio e Indústria da França (CCI France), disse à rádio RTL que “mais de 2.000” lojas e estabelecimentos comerciais foram vandalizados, estimando os prejuízos em “centenas de milhões de euros”.
Novas manifestações para sábado
Os protestos continuaram na manhã de 19 de outubro. A entrada do Louvre, o museu mais visitado do mundo, no coração de Paris, foi bloqueada por manifestantes que expressavam apoio ao movimento dos estudantes do ensino médio, segundo a direção do museu e sindicatos, conforme relatado pela Agence France-Presse.
Novos saques e atos de violência ocorreram na capital no domingo e durante a noite, com pelo menos 30 lojas sendo alvo. Um total de 351 pessoas foi detido nas últimas horas.
Com as medidas mais recentes, o número de pessoas detidas desde o início dos distúrbios chegou a 2.331 — dezenas das quais tiveram sua prisão preventiva decretada.
Enquanto isso, o grupo de coordenação dos “Coletes Amarelos” (Gilets Jaunes), responsável pela mobilização de 17 de outubro, anunciou um “segundo ato” de protestos para sábado, 24 de outubro.




