NÃO À PENA DE MORTE

Arcebispo dos EUA pede dispensa de soldados de pelotão de fuzilamento

Dom Timothy Broglio, Arcebispo dos Serviços Militares dos EUA, emitiu uma declaração sobre a execução planejada de Nidal Malik Hasan

Da redação, com Vatican News

Dom Timothy Broglio, Arcebispo dos Serviços Militares dos EUA / Foto: Reprodução Youtube Face the Nation

O Arcebispo dos Serviços Militares dos EUA, Dom Timothy Broglio, expressou, em uma nota, solidariedade às vítimas de Hasan e determinando que soldados católicos solicitem dispensa caso sejam escalados para o pelotão de fuzilamento, afirmando que tal ação é “contrária aos ensinamentos da Igreja”.

“Quaisquer católicos designados para o pelotão de fuzilamento” encarregado da execução de Nidal Malik Hasan “que solicitem dispensa dessa ação, por ser contrária aos ensinamentos da Igreja”, disse o prelado em comunicado oficial.

Hasan foi condenado à morte por um tribunal militar pelo homicídio premeditado de 13 pessoas e pela tentativa de homicídio premeditado de outras 32, em um tiroteio em massa ocorrido em Fort Hood, no estado americano do Texas.

No início deste mês, o presidente Donald Trump aprovou sua execução por fuzilamento. Posteriormente, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou que a execução seria transmitida ao vivo.Condenação generalizada

A decisão de transmitir a execução provocou condenação generalizada. Em resposta ao anúncio, o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, Arcebispo Paul Coakley, expressou o “choque e a profunda tristeza” dos bispos diante da notícia. Embora tenha ressaltado que as ações do Sr. Hasan “de forma alguma… podem ser toleradas”, o Arcebispo Coakley afirmou: “esta decisão é uma promoção bárbara de uma cultura de morte e deve ser reconsiderada”.

O Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, também condenou o plano de transmitir ao vivo a execução do Sr. Hasan, declarando: “É certamente inaceitável transformar a morte em espetáculo. Por mais culpada que a pessoa seja, existem outras formas”.

O Papa tem condenado frequentemente o uso da pena de morte, posição que reiterou em uma publicação na rede social X, um dia após o anúncio do governo dos EUA.

“A pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa”, escreveu o Papa no Dia Mundial contra a Pena de Morte. “O bem comum pode ser salvaguardado e as exigências da justiça podem ser atendidas sem recorrer à pena capital: foram desenvolvidos sistemas de detenção eficazes que protegem os cidadãos e, ao mesmo tempo, não privam totalmente os culpados da possibilidade de redenção. #NãoÀPenaDeMorte”

“A dignidade da pessoa humana está em jogo”

Em um comunicado divulgado em 12 de outubro, o Arcebispo Broglio afirmou: “é meu dever expressar minha reprovação ao que está sendo proposto em relação à execução do terrorista Hasan — a ser realizada na Arquidiocese confiada aos meus cuidados espirituais por aqueles para cuja salvação fui constituído Arcebispo dos Serviços Militares dos EUA”.

Ao descrever os crimes do Sr. Hasan como “um ataque à dignidade da pessoa humana”, o Arcebispo Broglio expressou, mais uma vez, sua solidariedade à família e aos amigos das vítimas.

Ele reiterou a oposição da Igreja Católica à pena de morte, argumentando que, também neste caso, “a dignidade da pessoa humana está em jogo”. Abordando diretamente a intenção do governo dos EUA de transmitir a execução ao vivo, o arcebispo perguntou: “Queremos realmente imitar os terroristas deste mundo e transformar em espetáculo público o ato de matar barbaramente nossos adversários?”

Ele questionou se uma execução pública teria alguma finalidade e expressou preocupação com o “potencial dano moral” para aqueles encarregados de cumprir a sentença.

Por fim, indagou se a decisão reflete “a dignidade da pessoa humana”.

Uma obrigação para os soldados católicos

O Arcebispo conclamou “todos os homens e mulheres de boa vontade a pedirem que essa decisão seja reconsiderada e, no mínimo, a fazerem o possível para evitar que a transmissão ao vivo da execução proposta chegue à visão dos jovens e daqueles mais suscetíveis a influências”.

Por fim, o Arcebispo Broglio dirigiu-se diretamente aos soldados católicos, afirmando: “Assim como eu faria no caso de um aborto provocado, determino que quaisquer católicos designados para o pelotão de fuzilamento solicitem dispensa dessa ação, que é contrária aos ensinamentos da Igreja”.

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