Procuradoria afirma que o depoimento não revelou detalhes inéditos das investigações e que não foram apresentadas provas dos atos relatados pelo ex-banqueiro
A Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento das denúncias apresentadas por Daniel Vorcaro sobre supostas ameaças sofridas na prisão. As acusações foram feitas em depoimento no Supremo Tribunal Federal.
Reportagem de Francisco Coelho
Imagens de Ersomar Ribeiro e Arquivo
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu que ele fosse ouvido presencialmente no Supremo Tribunal Federal. O depoimento foi prestado a um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, relator do processo, no dia 26 de agosto, sem a presença da Polícia Federal. Os advogados alegaram que o empresário teria sofrido graves intimidações. No depoimento obtido pelo Jornalismo da TV Canção Nova, o dono do Banco Master afirmou ter sido ameaçado por agentes da Polícia Federal. Segundo ele, durante o transporte em um helicóptero, teria ouvido de policiais a frase: “é mais fácil de repente jogar ele daqui”.
Vorcaro relacionou as supostas ameaças à intenção de citar integrantes do Governo em uma delação premiada. Em outro trecho do depoimento, o ex-banqueiro afirmou ter pago despesas de viagens e ingressos para o diretor-geral da Polícia Federal. Andrei Rodrigues e a namorada dele.
“Agora, a questão da denúncia de violação do preso, em princípio, nada tem a ver com a delação premiada que tem procedimento próprio. Esse fato deve ser investigado, apurado e, se eventualmente comprovado, buscar a responsabilização das pessoas envolvidas”, afirmou o especialista em direito penal, Fábio Souto.
As denúncias foram encaminhadas para a Procuradoria Geral da República. A PGR afirmou que o depoimento não revelou detalhes inéditos das investigações e que não foram apresentadas provas dos atos relatados por Daniel Vorcaro. Caberá ao ministro André Mendonça a decisão sobre o andamento da denúncia.
Este advogado afirma que as delações premiadas precisam de provas concretas e não apenas dos depoimentos. “A palavra do colaborador sozinho não representa prova automática da culpa de terceiros. O legislador exige elementos de corroboração”, apontou o advogado criminalista, Luiz Gustavo Cunha.
As declarações de Daniel Vorcaro e as relações dele com autoridades dos três poderes também podem ter repercussão no cenário político e eleitoral. “A política brasileira tem as suas peculiaridades depois de um grande ostracismo. O nome Vorcaro voltou a estar na moda na política brasileira e nas conversas e embates entre oposição e situação. Tudo não pelo que ele disse, mas pelo que foi escrito e revelado pela Polícia Federal no seu relatório de mais de 200 páginas”, concluiu o cientista político, Alexandre Bandeira.



