Tradição preserva a fabricação artesanal do instrumento em Santa Catarina
Presente em vários estilos, a gaita de boca vai do jazz à bossa nova e encontra espaço também na música litúrgica. No Sul do Brasil funciona a única fábrica desse instrumento em toda a América Latina. Uma produção que há mais de cem anos transforma técnica e precisão em música.
Reportagem de Sidinei Fernandes
Imagens: Leandro Iarussi / Pedro Luca / Reuters / Pexels
A América Latina é um mosaico de tradições feitas à mão, mas no sul do Brasil o artesanato ganha o compasso da música. É em Santa Catarina que funciona há mais de 100 anos a única fábrica de gaitas de boca em atividade em toda a América Latina. Um reduto onde o trabalho das máquinas se curva ao talento dos artesãos.
Seu Ademar, de 76 anos, é uma das mentes e mãos por trás desse legado, um ofício que aprendeu com o pai. Fundada em 1923 por Alfred Hering, a empresa que passou por várias mãos e desafios ao longo de um século, manteve a produção e o cuidado artesanal que marcaram a história do negócio.
“Uma gaita tem que ser tradicional, feita como nós fizemos, tem que ser feita manualmente se não, não funciona. Tem bastante coisa para melhorar. A nossa tradição é aquela fazer ela bem feita”, ressaltou o artesão de gaita, Ademar Krueger.
“Gosto da parte de saber que eu mexo com uma coisa diferenciada assim, que é um instrumento musical, uma coisa que nem todo mundo tem a oportunidade de mexer todo dia, de ver todo dia. Só quem mesmo toca o instrumento”, reforçou a funcionária da fábrica, Simone Trainotti.
E esse cuidado centenário ecoa longe. A trilha sonora que nasce em Santa Catarina, viaja o mundo e se mistura à alma da música brasileira. Do jazz ao blues, passando pelo choro e bossa nova até as canções litúrgicas.
O cantor e compositor Brais Oss, missionário da comunidade Canção Nova, utiliza o instrumento para evangelizar. “A gaita para mim foi todo um diferencial e um presente que Deus me deu, esse instrumento tão, tão simples e tão composto, lindo na sua sonoridade que eu trouxe pra música católica”, completou o missionário da Comunidade Canção Nova, música e cantor, Brais Oss.
Mais do que produzir instrumentos, a fábrica preserva um patrimônio cultural soprado de geração em geração.




