Relíquia de primeiro grau do santo permanece na Canção Nova até o dia 23; em homilia, padre Wagner Ferreira destacou o chamado à pobreza evangélica
Julia Beck
Da Redação

Imagem de São Francisco de Assis e relíquias presentes no Santuário do Pai das Misericórdias no início da manhã desta terça-feira, 18/ Fotos: Gabriel Fontana
A Santa Missa das 7h desta terça-feira, 18, no Santuário do Pai das Misericórdias, contou com a presença especial de uma relíquia de primeiro grau de São Francisco de Assis. A celebração, realizada na sede da Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), integrou a programação da peregrinação da relíquia pelo Vale do Paraíba.
O presidente da Fundação João Paulo II, padre Wagner Ferreira, presidiu a celebração. Durante a homilia, o sacerdote destacou o testemunho de vida de São Francisco de Assis e sua abertura à graça de Deus, que o levou a uma profunda amizade com Jesus. “Esse servo do Senhor tem muito a nos ensinar com o seu testemunho de vida, uma vez que ele se abriu à graça de Deus. O Espírito Santo o moveu para ser amigo de Jesus”, afirmou.
O sacerdote destacou a relação entre as leituras proclamadas na celebração e a espiritualidade vivida por São Francisco. A primeira leitura apresenta o príncipe da cidade de Tiro, tomado pelo orgulho e pela soberba diante do poder, dos bens e das posses que havia conquistado.
Já no Evangelho, Jesus alerta sobre o perigo de permitir que os bens ocupem o lugar de Deus no coração. Para padre Wagner, a passagem não trata da quantidade de bens que uma pessoa possui, mas do apego a eles. “Não é questão de quantidade, mas da prisão do coração nas próprias posses”, explicou.
Viver com humildade e desapego
O carisma franciscano, prosseguiu o presbítero, oferece um testemunho concreto da pobreza evangélica, dimensão fundamental para todos os discípulos de Cristo. “O carisma franciscano testemunha a pobreza evangélica, fundamental para todos os discípulos de Jesus, porque pela graça de Deus somos chamados a testemunhar com a vida o senhorio de Jesus”, frisou.

Padre Wagner Ferreira /Foto: Reprodução TV Canção Nova
Padre Wagner ressaltou que os bens materiais não são capazes de garantir a salvação. Por isso o cristão é chamado a viver com humildade e desapego, colocando a fé e o seguimento de Jesus acima de tudo. “Mais do que a importância do bem que possuímos, é importante possuirmos a fé e testemunhá-la. Os bens que possuímos não têm o poder de nos dar a vida eterna, de nos salvar”.
O sacerdote e missionário da Canção Nova recordou ainda que a vida terrena é passageira e que, diante dessa realidade, os discípulos de Cristo não devem se deixar escravizar por aquilo que possuem. “Desse mundo ninguém vai levar absolutamente nada. Por isso, não devemos nos deixar seduzir e escravizar pelos bens que possuímos, mas viver a humildade, o desapego, o seguimento de Jesus”, destacou.
“Nós deixamos tudo para te seguir”
A homilia também recordou o diálogo de Pedro com Jesus no Evangelho. Depois de afirmar que os discípulos haviam deixado tudo para segui-Lo, Pedro pergunta qual seria a recompensa. Jesus responde que aqueles que deixaram casa, irmãos, pais e filhos por causa de Seu nome receberão cem vezes mais e terão a vida eterna.
Padre Wagner explicou que esse “deixar” não significa necessariamente abandonar as pessoas ou os bens, mas não permitir que eles se tornem mais importantes do que a fé. “Deixar quer dizer não se apegar, não tornar a posse dos bens mais importante do que a fé”, ensinou. Para o sacerdote, o testemunho de São Francisco ajuda os cristãos a recordar justamente essa verdade: tudo o que se possui deve estar submetido ao senhorio de Cristo.
Uma oportunidade de oração
Ao concluir a homilia, o sacerdote convidou os fiéis a aproveitarem a presença da relíquia de primeiro grau de São Francisco de Assis como uma oportunidade de pedir a Deus a graça da humildade e da pobreza evangélica.
“Aproveitemos a graça da visita dessa relíquia que, durante esses dias, estará conosco. Supliquemos ao Senhor a humildade e a pobreza evangélica, para dar testemunho de que Jesus é o nosso Senhor”, pediu.
O sacerdote concluiu a reflexão recordando que a vida do cristão pertence a Deus e confiando à intercessão de São Francisco o desejo de um dia alcançar a glória eterna. “A Ele pertence a minha vida, tudo que sou, tudo que tenho. Que possamos um dia chegar à glória de Deus, onde ele se encontra intercedendo por nós”, concluiu.
Relíquia permanece na Canção Nova até 23 de agosto
A visita – que foi iniciada nesta segunda-feira, 17, e será concluída no domingo, 23 – é promovida pela Província dos Franciscanos de São Paulo (SP), por ocasião do Ano Jubilar Franciscano, que recorda os 800 anos da morte de São Francisco de Assis.
Durante a peregrinação pelo Vale do Paraíba, a relíquia passou pelo Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP), antes de seguir para a sede da Canção Nova. Em Cachoeira Paulista, além de permanecer exposta para a veneração dos fiéis, a relíquia também vai visitar os setores da Fundação João Paulo II. O relicário que peregrina pelo Vale do Paraíba também carrega relíquias de primeiro grau de São Pedro e São Tiago Maior, apóstolos e mártires da Igreja.
Nesta terça-feira, 18, após permanecer exposta durante a Missa das 7h, a relíquia seguiu para uma visita aos setores da Fundação João Paulo II. Durante a tarde, está prevista uma programação destinada aos membros da Comunidade Canção Nova. Entre os dias 19 e 22 de agosto, a relíquia permanecerá exposta para veneração dos fiéis no Santuário do Pai das Misericórdias durante todo o dia. No dia 20, excepcionalmente, a exposição será encerrada às 17h30.
No dia 23, após a Missa das 7h, a relíquia retornará ao Convento Franciscano, na capital paulista.




