No aniversário de 45 anos da Familiaris Consortio e de 10 anos da Amoris Laetitia, confira o que as exortações sobre a família falam sobre a vocação ao matrimônio
Da Redação, com CNBB

Fotos: Dennis Jarvis | Yakov Fedorov via Wikimedia Commons | Canva
Em 2026, comemoram-se os aniversários de 45 anos da Familiaris Consortio e de 10 anos da Amoris Laetitia, duas importantes exortações escritas por São João Paulo II e pelo Papa Francisco, respectivamente, cujo tema central é a família.
No contexto do Mês das Vocações, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) listou sete pontos que abordam a vocação familiar, recordada nesta segunda semana de agosto, presentes nos dois documentos pontifícios.
Leia mais
.: “A família é um grande dom de Deus para a humanidade”, destaca cardeal
.: “Amoris Laetitia é uma retomada positiva da vocação ao amor”, diz padre
Juntas, as exortações oferecem indicações pastorais que ajudam os jovens a descobrirem a beleza e a grandeza da vocação ao amor e ao serviço da vida, animam os esposos em sua missão de cuidado mútuo e na criação e desenvolvimento dos filhos, e estabelecem como deve ser o acompanhamento da Igreja à família em suas diversas fases e situações.
1) Vocacionados ao amor
A fundamental e originária vocação do ser humano é ao amor. Além de chamar o ser humano à existência, Deus o chama para o amor:
Enquanto espírito encarnado, isto é, alma que se exprime no corpo informado por um espírito imortal, o homem é chamado ao amor nesta sua totalidade unificada. O amor abraça também o corpo humano e o corpo torna-se participante do amor espiritual. (FC, 11)
2) Modo de realizar a vocação
A Igreja entende que há dois modos específicos de realizar a vocação da pessoa humana ao amor: o matrimónio e a virgindade. Ambos são uma concretização da verdade mais profunda do homem, e para aqueles que abraçam a vocação familiar, a plenitude desse amor é simbolizada na doação total de Cristo por sua Igreja:
O Espírito, que o Senhor infunde, doa um coração novo e torna o homem e a mulher capazes de se amarem, como Cristo nos amou. O amor conjugal atinge aquela plenitude para a qual está interiormente ordenado: a caridade conjugal, que é o modo próprio e específico com que os esposos participam e são chamados a viver a mesma caridade de Cristo que se doa sobre a Cruz. (FC, 13)
Segundo o Papa Francisco, essa entrega de Cristo que manifesta o amor infinito do Pai permite aos fiéis compreender o mistério das famílias cristãs:
O matrimônio cristão é um sinal que não só indica quanto Cristo amou a sua Igreja na Aliança selada na Cruz, mas torna presente esse amor na comunhão dos esposos. (AL, 73)
3) Vocação que dá frutos
A resposta à vocação familiar é única e insubstituível e gera frutos para a Igreja e a sociedade, como o dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude dos membros da família. Dessa forma, o amor vivido nas famílias é uma força permanente para a vida da Igreja:
Na sua união de amor, os esposos experimentam a beleza da paternidade e da maternidade; partilham projetos e fadigas, anseios e preocupações; aprendem a cuidar um do outro e a perdoar-se mutuamente. Neste amor, celebram os seus momentos felizes e apoiam-se nos episódios difíceis da história da sua vida. (AL, 87)
4) Vocação que habilita e empenha os leigos
Segundo São João Paulo II, o matrimônio habilita e empenha os cônjuges e os pais cristãos a viverem sua vocação de leigos e, portanto, a procurarem o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo o Senhor:
As famílias cristãs dão um contributo particular à causa missionária da Igreja cultivando as vocações missionárias nos seus filhos e filhas e, de uma forma mais generalizada, com uma obra educativa que vai dispondo os filhos, desde a infância para conhecerem o amor de Deus por todos os homens. (FC, 54)
5) Vocação que chama à santidade
O chamado à santidade é uma “alta vocação” a que os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus. Esse chamado é alimentado pelo matrimônio, sacramento que representa de forma real a relação de Cristo com a Igreja:
O sacramento é um dom para a santificação e a salvação dos esposos, porque a sua pertença recíproca é a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja. Os esposos são, portanto, para a Igreja a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar. (AL, 72)
6) Vocação fascinante e união plena
O Papa Francisco definiu o matrimônio como “fascinante”, destacando-o como união plena que eleva e aperfeiçoa a dimensão social da vida e confere à sexualidade o seu sentido maior. Neste contexto, frisou a importância de auxiliar os jovens a descobrir o valor e a riqueza desse sacramento:
A complexa realidade social e os desafios, que a família é chamada a enfrentar atualmente, exigem um empenho maior de toda a comunidade cristã na preparação dos noivos para o matrimónio. É necessário lembrar a importância das virtudes. Dentre elas, resulta ser condição preciosa para o crescimento genuíno do amor interpessoal a castidade. (AL, 206)
7) Vocação que lança os noivos adiante
Os dois documentos apontam diversas indicações pastorais, destacando o discernimento vocacional e a preparação para a vida matrimonial como algo que não é feito às vésperas de uma cerimônia, mas como um caminho que se inicia desde uma preparação remota:
Tanto a preparação próxima como o acompanhamento mais prolongado devem procurar que os noivos não considerem o matrimônio como o fim do caminho, mas o assumam como uma vocação que os lança para diante, com a decisão firme e realista de atravessarem juntos todas as provações e momentos difíceis. (AL, 211)





