Arcebispo de Reims comentou expectativa pela visita de Leão XIV em setembro, secularização francesa e aumento do número de catecúmenos no país
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV visitará a França entre 25 e 28 de setembro / Foto: Canva | REUTERS/Yara Nardi
Nomeado recentemente pelo Papa Leão XIV como membro do Dicastério para a Evangelização, o arcebispo de Reims, Dom Éric de Moulins-Beaufort, falou sobre a Igreja na França e a expectativa pela viagem do Pontífice ao país entre 25 e 28 de setembro.
Em entrevista à mídia vaticana, o ex-presidente da Conferência Episcopal da França (CEF) afirmou que o Santo Padre encontrará uma Igreja em plena transformação. “Ela se transforma para se tornar mais lúcida, menos ingênua, mais crítica em relação a si mesma e ao que sua estrutura pode gerar. Dessa forma, torna-se mais capaz de acolher aqueles que chegam e de servir verdadeiramente a Cristo”, salientou.
Diante dos desafios impostos pela queda no número de vocações sacerdotais e pelo choque causado pela revelação de abusos sexuais e espirituais, Dom Moulins-Beaufort pontuou que a centralidade da figura de Cristo, “algo que antes poderia parecer óbvio”, tem atraído as gerações mais jovens de volta à Igreja e aumentado o número de catecúmenos.
Secularização
De forma especial, o arcebispo destacou a participação dos leigos na evangelização e no processo missionário. “Muitos cristãos, por exemplo, têm a alegria de ver que podem presidir orações: não para substituir os sacerdotes, mas para exercer plenamente seu sacerdócio comum”, pontuou.
Paradoxalmente, a França enfrenta o desafio da secularização, no qual Dom Moulins-Beaufort identificou “uma vontade de autonomia em relação a Deus”. Apesar disso, os franceses percebem bem que a fé cristã é uma escola de liberdade:
“Eles compreendem espontaneamente a liberdade em termos de autonomia e emancipação, mas também podem descobrir que ela é maior no consenso, na acolhida, na hospitalidade e em uma certa dependência de Deus, que liberta ainda mais. Na França, tudo isso entra em conflito: a necessidade de emancipação e a consciência da riqueza do que a fé em Deus pôde oferecer e ainda pode oferecer”.
Experiência com Cristo
Em relação ao fenômeno dos catecúmenos, o ex-presidente da CEF o reconheceu como “um dom de Deus” para encorajar a Igreja no país em seu trabalho de transformação pastoral e de purificação do nosso olhar.
Neste contexto, Dom Moulins-Beaufort salientou a descoberta que muitos têm feito, ao se encontrar com Cristo, de uma nova maneira de viver — na paz, na abertura aos outros, superando o ressentimento e a raiva, na esperança. Além disso, observou que muitos assimilam com muita facilidade o vocabulário teológico da Escritura e da Liturgia.
O arcebispo enfatizou ainda que a eficácia da missão não se mede pela quantidade de convertidos ou de fiéis. “Ela pertence ao mistério da cruz: aceitamos estar unidos a Cristo para carregar o destino da humanidade, e o Pai responde como bem entender. Devemos nos comportar como cristãos onde estamos, com intensidade e verdade, confiando que se cumpra a obra de Deus, que deseja conduzir os homens à plenitude da vida”, conclui.




