Primeira sessão do Consistório extraordinário nesta sexta-feira, 26, foi dedicada a reflexões sobre atual cenário do mundo e missão evangelizadora da Igreja
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV e cardeais durante atividades do Consistório extraordinário nesta sexta-feira, 26 / Foto: Vatican Media/Handout via Reuters
Segundo a Santa Sé, 178 cardeais estiveram presentes na primeira sessão do Consistório extraordinário, realizada nesta sexta-feira, 26. Na Sala Paulo VI, eles se dividiram em oito grupos de cardeais eleitores ordinários (incluindo núncios e cardeais eleitores que concluíram seu serviço como ordinários) e dez grupos de cardeais eleitores da Cúria Romana e cardeais não eleitores.
Após o canto do Veni Creator, o Cardeal Rueda Aparicio, que moderou a primeira sessão, deu início aos trabalhos e concedeu a palavra ao decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Giovanni Battista Re, para sua saudação. Em seguida, o Papa Leão XIV tomou a palavra com uma intervenção introdutória.
Ao final de sua intervenção, o Cardeal Rueda Aparicio destacou o pedido de ajuda do Papa dirigido aos cardeais e garantiu o apoio deles, com fé, alegria e disponibilidade. O cardeal apresentou então brevemente a sessão, passando a palavra ao Cardeal Ryś, que ofereceu uma meditação bíblica para introduzir a reflexão nos grupos de trabalho.
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Causas do sofrimento no mundo
Após um longo momento de oração silenciosa, os cardeais, divididos em diferentes grupos, tiveram a oportunidade de compartilhar suas reflexões de acordo com as orientações fornecidas. Na assembleia plenária, os secretários de alguns grupos relataram suas reflexões compartilhadas. Todos os grupos destacaram, com profunda consciência, o sofrimento vivido pelos homens neste momento de profundas transformações sociais.
Entre os temas que surgiram, destacam-se as crescentes polarizações dentro das sociedades e comunidades, geradoras de tensões políticas e violência e alimentadas pelas fraturas sociais, pelo uso de informações falsas e por uma comunicação generalizada que não favorece o diálogo. Vários grupos destacaram que muitos lugares do planeta sofrem com a falta de respeito às minorias, religiosas e étnicas, o que coloca em crise a liberdade religiosa.
Também foram abordados o individualismo exacerbado, a crise da família e, sobretudo, a solidão — tanto entre idosos quanto entre jovens — como causa de males ainda piores, do aumento dos suicídios e do uso de drogas. Além disso, falou-se sobre o sentimento geral de desconfiança, fatalismo e impotência em relação às instituições, à democracia e ao futuro e sobre o secularismo.
Discutiu-se ainda a necessidade de lidar de maneira humana e cristã com o fenômeno migratório, que muda a face dos povos, das sociedades e das comunidades, tornando urgente a necessidade de políticas reais de integração, enquanto surgem novas formas de exclusão; e foi mencionada a crise ecológica, assim como a corrupção e o sofrimento da vida nas grandes cidades.
Papel da Igreja diante do sofrimento
Diante desses cenários, do sofrimento descrito em tantos níveis, todos os grupos destacaram a necessidade de a Igreja se mostrar mãe, um lugar acolhedor — inclusive por meio da reestruturação das paróquias —, capaz de reconhecer seus próprios erros e transformar o sofrimento em um momento de crescimento, lembrando ao mundo que somos uma família humana.
Nesse contexto, também surgiu uma forte consciência da responsabilidade confiada à Igreja no momento histórico atual. Vários grupos observaram que, enquanto muitas instituições atravessam uma crise de credibilidade, a Igreja se sente chamada a falar com autoridade em favor da dignidade da pessoa, da paz, da reconciliação e do bem comum.
O Papa Leão permaneceu no local até o início dos trabalhos em grupo, retornando antes do reinício da sessão plenária. Ao término das apresentações dos grupos, ele fez uma breve intervenção, agradecendo aos presentes e ressaltando mais uma vez o valor da participação e do diálogo.
A solidão e o sofrimento, dizia o Papa, são como que o resultado desta sociedade, um desafio ao qual a Igreja responde convidando todos à comunhão, não apenas abrindo as igrejas e celebrando os sacramentos, mas criando oportunidades e experiências de encontro. A sessão foi encerrada com a oração do Angelus, e o encontro da tarde foi marcado para as 16h.
*Todos os horários citados no texto estão no horário de Roma.




