Leão XIV reuniu-se com a comunidade diocesana de Madri no estádio Santiago Bernabéu e deixou à Igreja local palavras de encorajamento na missão
Jéssica Marçal
Da Redação

O Papa Leão XIV acena para os mais de 80 mil fiéis que foram recebê-lo no estádio Santiago Bernabéu, na capital Madri / Foto: REUTERS/Yara Nardi
Muita animação e um caloroso acolhimento marcaram o encontro do Papa Leão XIV com a comunidade diocesana de Madri nesta segunda-feira, 8. Em sua estadia na capital espanhola nesta primeira etapa da viagem, o Pontífice se reuniu com a Igreja local, a quem deixou palavras de encorajamento na missão.
Mais de 80 mil fiéis lotaram o estádio Santiago Bernabéu para receber Leão XIV. Na abertura do encontro, alguns representantes das várias realidades da Igreja local apresentaram um breve testemunho ao Papa: dois leigos, um sacerdote, uma família de migrantes e um jovem recém-batizado.
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Leão XIV ressaltou que a Igreja em Madri testemunha o Evangelho na capital de um grande país europeu, sede de instituições e organizações onde se tomam decisões importantes, mas também onde muitos visitantes procuram novas oportunidades. Neste cenário, a alegria do testemunho será contagiante se conseguir se transformar num sentimento profundo que renova os indivíduos, os grupos e a comunidade diocesana. “Não é por acaso que os Apóstolos, nos seus escritos, tantas vezes convidam as Igrejas à alegria, recomendando-a quase como um mandamento.”
A evangelização na cidade
Em seu discurso, o Pontífice também considerou a especial relação existente entre Igreja e cidade, ainda mais importante diante da mudança de época que se vive. Nas grandes realidades urbanas, emerge uma especificidade da missão cristã, disse o Papa citando seu predecessor, o Papa Francisco. Ele também destacou que a clareza sobre este ponto amadureceu muito durante o caminho sinodal.
“A questão mais importante passa a ser: o que somos e o que fazemos como cristãos alcança ‘lá onde se formam as narrativas e paradigmas’, isto é, os “núcleos mais profundos da alma das cidades”? Responder a essa pergunta pode ser difícil, é claro, mas é possível se buscarmos a verdade juntos.”, pontuou.
Para chegar ao coração da cidade, frisou o Pontífice, é preciso cultivar o desejo de encontrar o Ressuscitado que está sempre à nossa frente, e que talvez já esteja presente onde ainda não o procuramos. Buscar e seguir Jesus é uma condição para apontá-Lo, acrescentou.
“Nas grandes cidades, mais do que em outros lugares, às vezes sentimos que já não temos os mapas para nos orientarmos com segurança. Por isso, precisamos reaprender a arte espiritual da atenção, sem a qual até mesmo o anúncio do Evangelho corre o risco de se tornar uma repetição impessoal e, perdendo sua eficácia, dar lugar à frustração e à desconfiança.”
A salvação é para todos
Leão XIV reconheceu que Madri é uma grande cidade com diferentes tradições, mas Deus conhece cada um dos corações dos seus habitantes. Deus é misericórdia infinita, frisou, e quer que todos sejam salvos.
“Eis Jesus Cristo! Eis a Boa Notícia, a Graça que recebemos e que somos chamados a partilhar com todos. Porque todos, ninguém excluído, são feitos para a vida e vida em plenitude. A presença da Igreja em uma grande cidade é parábola deste mistério de salvação”.
A Igreja diocesana pode, então, oferecer o testemunho evangélico que libera as melhores forças de uma humanidade bombardeada por imagens e palavras, mas faminta de justiça e sedenta de verdade, disse o Papa. “Confiem no fato cada vez mais evidente de que é possível retornar à fé ou conhecê-la pela primeira vez na vida adulta. Estejam preparados para acolher novos começos não como uma exceção, mas como a regra da missão.”
Escuta e discernimento
Referindo-se aos conselhos paroquiais e diocesanos, o Santo Padre enfatizou o objetivo de modificar a sensibilidade de cada um graças a uma escuta mais profunda do que o Espírito diz à Igreja. Trata-se de um lugar de escuta recíproca para o exercício do discernimento, sem o qual corre-se o risco de não compreender o que o Senhor quer.
O Papa convidou os padres à prática do discernimento comunitário como uma das maiores oportunidades que a sinodalidade oferece ao ministério deles. Frisou também que, sem se desviarem do que é essencial, parar regularmente com o povo para interpretar a vida dos bairros, as mudanças culturais, as tensões sociais e as práticas eclesiais à luz do Evangelho enriquecerá e consolará seu ministério.
O Papa concluiu seu discurso com palavras de encorajamento a todos os fiéis. “A bondade, mesmo de poucos, pode vencer o medo de muitos. Sejam, para todos, como uma Bíblia aberta: em seus rostos e em suas vidas se possa encontrar a Palavra de Deus. O amor, de fato, é a linguagem que faz todos se sentirem em casa.”




