Situação internacional, busca pela paz, Magnifica Humanitas e atualização do Sínodo serão os temas abordados durante encontro de cardeais entre 26 e 29 de junho
Da Redação, com Vatican News

Cardeais reunidos durante o Consistório de janeiro / Foto: Reprodução Vatican Media
Partilhar o sofrimento e os sinais de esperança ligados à situação internacional, refletir sobre alguns pontos da carta encíclica Magnifica Humanitas e atualizar o processo de implementação do Sínodo. Estes serão os temas que nortearão os trabalhos do Consistório convocado pelo Papa Leão XIV para os dias 26, 27 e 29 de junho.
A informação foi esclarecida em uma carta enviada na quarta-feira, 3, pelo decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Giovanni Battista Re, aos cardeais que participarão do Consistório. No texto, ele enfatiza que o Pontífice deseja que o encontro seja um “espaço de escuta recíproca, discernimento e aprofundamento conjunto de algumas questões relevantes para a vida e a missão da Igreja no tempo presente”.
O Cardeal Re recorda que, para o Santo Padre, o objetivo do Consistório é “reunir a experiência e os conselhos dos membros do Colégio Cardinalício e, ao mesmo tempo, poder contar com a ajuda e o apoio ativo de cada um nos diferentes lugares e responsabilidade em que servem a Igreja”.
Reflexão sobre as guerras e a Magnifica Humanitas
A primeira sessão será dedicada a uma reflexão conjunta sobre a situação internacional e a realidade das Igrejas locais. Essa partilha será guiada por duas perguntas aos cardeais:
Quais sofrimentos, tensões e questões afetam com maior urgência os povos e as comunidades eclesiais confiadas aos seus cuidados hoje?
Que sinais de esperança, de fidelidade ao Evangelho e de possível reconciliação os senhores consideram importantes trazer para a discussão comum?
A segunda e a terceira sessões se concentrarão na recém-publicada Magnifica Humanitas. A segunda, em particular, analisará o quinto capítulo do documento, intitulado “A cultura do poder e a civilização do amor”. A carta recorda que o Papa, em um mundo marcado pela “polarização, violência e crescente conflito”, escreve que “a paz não é um tema entre outros, mas uma condição do bem comum universal e uma prova da maturidade moral dos povos”.
Os cardeais provenientes de territórios marcados pela guerra são convidados a compartilhar como “essa realidade afeta dolorosamente” sua experiência, e outros são convidados a refletir sobre o ressurgimento de “linguagens, lógicas e práticas que enfraquecem a possibilidade de reconciliação e convivência”. Pretende-se, portanto, refletir juntos sobre como reafirmar hoje “a superação da teoria da ‘guerra justa’, invocada com demasiada frequência para justificar qualquer guerra”, e “sobre quais formas concretas podem ajudar os povos e as comunidades cristãs a salvaguardar e construir a paz”.
Na terceira sessão, partindo da perspectiva de “construir sobre o bem”, presente tanto na introdução quanto na conclusão da Magnifica humanitas, será aprofundado o convite da encíclica a “interpretar as transformações do nosso tempo à luz do Evangelho e orientar o desejo humano por felicidade e plenitude rumo ao desenvolvimento humano integral”.
Atualização do Sínodo
Por fim, a primeira parte da sessão final será dedicada “a atualizar os membros do Colégio sobre o processo de implementação do Sínodo, a partir do documento recente, rumo às Assembleias Sinodais de 2027-2028. Etapas, critérios e instrumentos para a preparação.” A segunda parte permitirá um diálogo livre entre os cardeais e Leão XIV, com interações de três minutos.
Na carta, o Cardeal Re informa ainda que o Consistório se realizará nos dias 26 e 27 de junho, na Sala Paulo VI e na Sala do Sínodo. No dia 29 de junho, na Basílica de São Pedro, o Papa Leão XIV presidirá a missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo, abençoará os pálios e os imporá aos novos arcebispos metropolitanos. Não está prevista a Eucaristia concelebrada para o domingo, 28, como anunciado anteriormente.




