Ilhas Canárias

Em visita à Espanha, Papa se encontrará com a realidade migratória

Leão XIV irá às Ilhas Canárias, que perpassa uma das mais perigosas rotas migratórias do mundo

Da Redação, com agências

Papa Leão XIV / Foto: Maria Grazia Picciarella/SOPA Images via Reuters

Uma das principais e mais perigosas rotas migratórias do mundo estará em foco com a passagem do Papa Leão XIV pela Espanha com sua mensagem de esperança e acolhimento. O Pontífice dedicará os dois últimos dias de sua viagem ao país – 11 e 12 de junho – para visitar as Ilhas Canárias e se encontrar com migrantes e entidades que os acolhem em sua jornada de busca por melhores condições de vida.

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As Ilhas Canárias são um arquipélago espanhol localizado a cerca de 200 km da costa oeste da África. É formado por 7 ilhas principais: El Hierro, La Gomera, La Palma e Tenerife (província de Santa Cruz de Tenerife); e Fuerteventura, Gran Canaria e Lanzarote (província de Las Palmas). O Papa visitará duas delas: La Palma e Tenerife.

Tendo como via o Oceano Atlântico, esta rota migratória é uma das principais portas de entrada para a Europa, recebendo dezenas de milhares de migrantes. Também é uma das mais mortais: mais de 19 mil mortes desde 2020.

Em 2024, as Ilhas atingiram o recorde anual histórico de mais de 40 mil imigrantes provenientes da África Ocidental. Neste ano de 2026, a Espanha teve o menor número de chegadas de imigrantes desde 2023, mas a maioria seguiu sendo por via marítima. Só no mês de janeiro, foram 1831 registros, sendo a maioria (959) nas Ilhas Canárias.

Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) (abril de 2026) o fortalecimento da cooperação fronteiriça fez cair o número de chegadas às Ilhas Canárias pela rota atlântica da África Ocidental, mas as jornadas tornaram-se mais longas, mais arriscadas e geograficamente mais dispersas.

Leão XIV com os migrantes

A chegada do Papa à Base Aérea de Gran Canária/Gando será em 11 de junho. Ele se encontrará com as organizações de acolhimento de migrantes no porto de Arguineguín.

Na sexta-feira, 12 de junho, o Papa partirá para Santa Cruz de Tenerife, onde se encontrará com os migrantes do centro “Las Raíces”. Depois, haverá o encontro com as realidades de integração de migrantes na “Plaza del Cristo de La Laguna”.

Em entrevista à Agência Fides, o padre Juan Pedro Rivero González, delegado episcopal da Cáritas Diocesana de Tenerife, professor de Teologia e História da Igreja e pároco da Diocese de Tenerife, destacou que, com esses encontros, o Papa está trazendo de volta ao centro aqueles que muitas vezes vivem à margem da sociedade e da vida.

“Não se trata apenas de um gesto formal; é uma forma de dizer ao mundo que os migrantes não são invisíveis e que seu sofrimento não pode nos deixar indiferentes. (…) O Papa humaniza uma realidade que muitas vezes é analisada apenas por meio de categorias políticas ou econômicas. Para os próprios migrantes, esse gesto também representa o reconhecimento de sua dignidade e valor como seres humanos.”, afirmou.

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