Tradição dos tapetes para a procissão de Corpus Christi veio de Portugal e há séculos é repassada adiante em honra a Jesus Eucarístico
Kelen Galvan
Da redação, com colaboração de Jéssica Marçal

Fotos: Arquivo Canção Nova
A Solenidade de Corpus Christi, nesta quinta-feira, 4, celebra a presença real e substancial de Jesus Cristo na Eucaristia e é uma das festas mais sagradas do calendário litúrgico católico. Neste dia, quando possível, os fiéis realizam a tradicional procissão pelas ruas da cidade, como forma de “testemunhar publicamente a veneração para com a Santíssima Eucaristia”, conforme recomendação do Código de Direito Canônico (Can. 944).
O pároco da Paróquia São Domingos Sávio, em Brasília (DF), padre Roger Araújo, explica que a procissão de Corpus Christi tem a finalidade de expressar publicamente a fé em Jesus na Eucaristia. “Demonstrar para o mundo que Jesus é nosso Rei, nosso Senhor, nosso Salvador, nosso Amor”.
Os tapetes para a procissão
Uma das tradições deste dia é a criação dos tapetes coloridos que servirão de passagem para o Santíssimo Sacramento. Feitos de diversos materiais, como serragem, areia, borras de café, pedras, grãos e até mesmo flores, expressam a fé dos fiéis. A origem deste costume remete ao século XIII, em Portugal, e essa prática foi posteriormente trazida para o Brasil.
“Quando o Brasil foi colonizado por eles (portugueses), essa cultura também cresceu no meio de nós. Mas ela é uma expressão também daquilo que é a fé popular. As pessoas manifestam através de desenhos e símbolos o amor que têm a Jesus na Eucaristia. É uma mistura também do que é o significado econômico: na época do Brasil colonial, o café era um elemento muito forte da nossa cultura, sobretudo Minas Gerais, então muitos tapetes eram feitos com café. Era um símbolo de prestígio, de poder, mas se colocava o café no chão, o pó de café, para simbolizar que Ele (Jesus) é maior que tudo, Ele é nossa maior riqueza.”, contextualizou padre Roger.
Cassandra Andressa Vieira é da paróquia Cristo Rei, na cidade de Lorena (SP). Desde a adolescência ela participa da confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi com o grupo de jovens. Há seis anos, têm feito como catequista, e sempre buscando repassar essa tradição.
“Convido/convoco os amigos, vizinhos e parentes. A tradição do tapete para nosso Senhor para mim é uma alegria! Sinto-me honrada em poder preparar o caminho que Jesus eucarístico irá percorrer; todo ano é emocionante e inspirador. Levo doces e lanchinhos para as crianças e com muita alegria vamos decorando os tapetes.”, conta.
Origem da Solenidade
A solenidade foi instituída pelo Papa Urbano IV (1262-1264), através da bula “transiturus”, de 11 de Agosto de 1264, para ser celebrada na Quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade.
Urbano IV, antes de ser escolhido Papa, foi Cônego de Liége (Bélgica) e se chamava Jacques Pantaleón de Troyes. Ele recebeu o segredo das visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que pedia uma festa da Eucaristia no calendário litúrgico.
Conta a história que, no ano de 1264, um sacerdote chamado Pedro de Praga, muito piedoso e zeloso pastoralmente, vivia angustiado por dúvidas sobre a presença real de Cristo no pão consagrado. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos Apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o dom da fé.
Ao passar por Bolsena (Italia), enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido pela dúvida. Na hora da consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre: a sagrada hóstia branca transformou-se em carne viva, respingando sangue, manchando o corporal, o sanguíneo e a toalha do altar.
Naquela época, o Papa Urbano IV morava em Orvieto, muito perto de Bolsena. O padre correu até lá para falar com o Papa. Ele, por sua vez, mandou o Bispo Giacomo, para ter a certeza do ocorrido e levar até ele o linho ensanguentado.
A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 de junho de 1264. O Pontífice foi ao encontro do bispo até a ponte do Rio Claro, hoje atual Ponte do Sol, pegou as relíquias e mostrou-as à população da cidade. Esta foi a primeira procissão do corporal Eucarístico. A festa mundial de Corpus Christi foi decretada neste mesmo ano, seis anos após a morte de irmã Juliana. Ela foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.
