Ao encontrar-se com os membros da Organização dos Estados Ibero-Americanos na manhã deste sábado (30), no Vaticano, Leão XIV refletiu sobre a educação
Da Redação, com Vatican News

Sala de aula vazia representa o ambiente escolar e o contexto da educação /Foto: Canva
Na manhã deste sábado, 30, Papa Leão recebeu no Vaticano os membros da Organização dos Estados Ibero-Americanos por ocasião do Encontro “Mapas de Esperança para uma agenda educativa regional. Saúde mental, tecnologias digitais e educação”. No início de seu discurso, o Santo Padre destacou que carrega profundamente no coração o território ibero-americano, com sua geografia de extraordinárias reservas espirituais e humanas.
Sugerindo como imagem os tecidos artesanais formados por múltiplos fios com cores intensas, Leão XIV observou que nenhum fio basta por si só para criar o desenho. Cada fio tem seu próprio significado dentro de uma trama mais ampla. Do mesmo modo ele afirmou ser a educação, chamada a redescobrir-se: não como a construção de individualismos isolados, nem como a simples transmissão de competências, mas como a arte de tecer comunhão.
Constelação educativa global
Lembrando que os povos antigos olhavam para o céu para ler as constelações e nelas buscar orientações para compreender o momento adequado de agir, preservando assim a harmonia entre o homem, a natureza e o tempo, o Pontífice sublinhou que hoje é preciso voltar a erguer os olhos para o céu. Porém, indicou, olhar para o céu para “construir uma constelação educativa global, na qual cada instituição, cada cultura e cada povo possam oferecer a sua contribuição original para iluminar o caminho da humanidade”. “Cada cultura é chamada a colaborar no desenho de um itinerário comum, amadurecendo a consciência de pertencer a uma única família humana”, disse.
Explicando em seguida que a consciência deste grande patrimônio cultural poderá ajudar a humanidade a enfrentar uma das maiores pobrezas deste tempo: a perda das constelações interiores. Pois muitos jovens possuem sofisticados instrumentos tecnológicos, mas têm dificuldade para encontrar um sentido pelo qual viver, esperar, amar e até mesmo sofrer.
Horizonte de sentido para saúde mental
Recordando que os seres humanos não são um algoritmo, mas um rosto, uma história, uma vocação, o Papa ressaltou que quando uma pessoa se reduz a um rendimento, ou a um dado estatístico, surge inevitavelmente um profundo sofrimento interior. “Muitos jovens vivem hoje sob o jugo das expectativas e do desempenho, imersos em uma competitividade exasperada que gera ansiedade, medo de não estar à altura e desorientação”. “Por isso”, observou o Santo Padre, “não podemos abordar o tema da saúde mental unicamente como uma questão clínica ou técnica”.
“Acreditamos que o homem pode viver autenticamente — e superar tantas fragilidades interiores — dentro de um horizonte de sentido”, frisou. E se este horizonte de sentido se obscurece, o Santo Padre comentou que se aumenta o vazio interior, o isolamento e o desespero. Ao contrário, quando uma pessoa descobre que a sua vida tem valor, que é amada, então nasce a esperança. “E a esperança não é uma ilusão ingênua: é uma força espiritual que sustenta a vida, inclusive nos momentos mais difíceis”.
Cultivar a vida interior
Portanto, afirmou o Papa, entre os objetivos do Pacto Educativo Global, está também o de cultivar a vida interior. “De fato, não basta conectar os jovens às redes digitais, se depois eles permanecem desconectados de si mesmos, dos outros e da sua própria interioridade. Cultivar a vida interior significa ajudar as novas gerações a redescobrir o silêncio, a reflexão, a capacidade de fazer-se perguntas, a profundidade das relações e a abertura à transcendência”.
Educar, afirmou ainda o Pontífice, “significa acompanhar os jovens a descobrir não apenas como viver, mas também por que viver”. Explicando ainda que nesta missão educativa, as instituições públicas, a escola, as universidades, as famílias, as comunidades religiosas, o mundo da cultura e o da comunicação são chamados a trabalhar juntos. “Ninguém pode enfrentar sozinho desafios tão profundos e complexos”, ressaltou.
Pontos de referência confiáveis
Por fim, Leão XIV convidou os presentes a reforçar a rede de cooperação que estão construindo entre a OEI e a Santa Sé. “Nesta época de transição digital, somos chamados a ser luz para muitas pessoas, sobretudo para os jovens, que buscam pontos de referência confiáveis e mapas capazes de orientar o caminho da vida”.




