Na sede da CNBB em Brasília, a quinta-feira, 28, foi de reflexão, formação e encaminhamentos pastorais para o Grupo de Assessores (GA)
Da Redação, com CNBB

Grupo de Assessores da CNBB participa de encontro de formação e reflexão /Fotos: CNBB
O Grupo de Assessores (GA) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniu-se nesta quinta-feira, 28, na sede da entidade, em Brasília, para um dia de reflexão, formação e encaminhamentos pastorais. A programação contemplou avaliações, partilhas e orientações voltadas à missão evangelizadora da Igreja no Brasil.
A reunião teve início com oração de abertura e saudação do secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers. Ao se dirigir aos assessores, ele ressaltou a importância da atuação articulada entre as diferentes áreas da Conferência. O secretário-geral também destacou a importância da preparação do relatório final da atual gestão da conferência, que será tema central da próxima Assembleia Geral da CNBB.
“É muito importante que vocês já comecem a preparar o relatório final da gestão. Mais do que apresentar o cotidiano, precisamos evidenciar os avanços, os desafios superados e os legados que permanecem para os próximos anos”, ressaltou.
Caminhos para a evangelização
Ao longo da reunião, os participantes realizaram uma avaliação da 62ª Assembleia Geral da CNBB e trataram de temas ligados à Campanha para a Evangelização e aos encaminhamentos pastorais das Comissões Episcopais.
Entre os destaques da pauta estiveram a participação on-line da Equipe Nacional de Animação do Sínodo e a partilha sobre o Relatório do Sínodo, especialmente no que se refere à missão da Igreja no ambiente digital. A celebração eucarística, às 11h45, integrou a programação do encontro.
Em entrevista ao portal da CNBB, o subsecretário adjunto de Pastoral da CNBB, padre Tiago Ávila Camargo, reforçou o papel estratégico desempenhado pelos assessores na articulação da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. “O papel de cada assessor e assessora é fundamental, especialmente na articulação junto aos regionais, pastorais e instituições vinculadas. É um trabalho de bastidor, mas essencial para que a Conferência consiga desempenhar tantas frentes de atuação”, afirmou.
Segundo padre Tiago, a reunião do Grupo de Assessores é também um espaço privilegiado de comunhão, partilha e alinhamento pastoral entre os diversos serviços da Conferência. “A reunião do GA é uma oportunidade de nos encontrarmos, avaliarmos os caminhos percorridos e alinharmos os trabalhos desenvolvidos nas diferentes áreas de atuação da CNBB”, explicou.
Formação
No período da tarde, o encontro contou com um momento formativo, on-line, conduzido pela professora Heloísa Fischer, a convite do assessor de comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues. A formação abordou o tema “Crises, comunicação e conversão: como a linguagem simples pode contribuir com a missão transformadora da Igreja?”.
A professora destacou que o contexto atual exige conversão pessoal e social e afirmou que a comunicação clara pode oferecer uma contribuição importante diante das crises contemporâneas. “Estamos vivendo tempos de crise e a comunicação com clareza pode colaborar nesse processo de transformação”, afirmou.
A reflexão foi organizada em três eixos: a comunicação como instrumento de transformação, os dilemas do tempo presente e a linguagem simples como caminho de empatia e regeneração. Especialista em facilitar o entendimento de conteúdos complexos há cerca de 30 anos, Heloísa Fischer compartilhou aspectos de sua trajetória profissional e afirmou buscar constantemente a conexão entre espiritualidade e trabalho. Segundo ela, o desejo de enfrentar apagamentos e injustiças sociais também motiva sua atuação.
Durante a exposição, a professora relacionou a temática da clareza comunicativa com a mensagem do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais e com a primeira Encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas”, especialmente no que diz respeito ao amadurecimento da capacidade crítica diante das informações.
Dilemas e questionamentos da comunicação contemporânea
Ao abordar os dilemas da comunicação contemporânea, Heloísa Fischer chamou atenção para desafios como a sobrecarga de informações, a pressa, a desatenção e a dificuldade crescente de leitura e compreensão de textos. “Ninguém lê nada. Vivemos em meio à sobrecarga, à pressa e à desatenção”, comentou, ao refletir sobre o que chamou de “batalhão dos distraídos”.
Ela também mencionou questões como a vulnerabilidade informativa, a terceirização da cognição para a inteligência artificial, a crise climática e os impactos das dinâmicas digitais sobre as relações humanas. Entre os questionamentos levantados durante a formação estiveram: “Como a comunicação ajuda a mudar comportamentos destrutivos?” e “Como a comunicação estimula relações solidárias, empáticas, fraternas e regenerativas?”.
Linguagem simples
Na terceira parte da apresentação, a professora aprofundou o conceito de linguagem simples, definida por ela como uma prática solidária, empática e regenerativa. Segundo explicou, trata-se ao mesmo tempo de técnica, causa e movimento global presente em mais de 45 países.
Ela destacou que a linguagem simples parte do direito das pessoas de compreender as informações que orientam o cotidiano e pressupõe uma comunicação centrada no leitor, considerando seu nível de conhecimento, interesse e o contexto de uso dos conteúdos.
A especialista apresentou ainda o método “Comunica Simples”, estruturado em 20 boas práticas divididas em cinco etapas: pensar, produzir, organizar, escrever e avaliar. Ao concluir a formação, Heloísa Fischer destacou que a clareza na comunicação contribui para fortalecer o pensamento crítico, favorecer decisões mais empáticas e ajudar as pessoas a “ver o coração que pulsa atrás do texto”. A professora colocou-se à disposição para colaborar com futuras iniciativas da CNBB na área da comunicação.
A programação do GA incluiu, ainda, orientações sobre o Relatório Quadrienal, informes das Comissões Episcopais e da Subsecretaria de Pastoral, além de momentos de diálogo e avaliação do próprio grupo.




