Pentecostes

O Espírito Santo não encontra barreiras para a evangelização, diz padre

Celebração de Pentecostes marca o nascimento da Igreja e sua missão evangelizadora; entenda como acontece a ação do Espírito Santo e como percebê-la no cotidiano 

Kelen Galvan
Da redação

Foto: Bruno Marques – Canção Nova

A Solenidade de Pentecostes, celebrada neste domingo, 24, é uma data importante para a Igreja Católica, pois marca o nascimento da Igreja e de sua missão evangelizadora.

“A Igreja nasce no Espírito Santo para poder anunciar a salvação na pessoa de Jesus Cristo. E essa é uma missão atual. A Igreja continua a anunciar a todo mundo que não há salvação noutro, a não ser em nosso Senhor. Participar a cada ano desta celebração é renovar o compromisso de anunciar Jesus de uma forma renovada”, afirma padre Márcio Prado.

Há uma multidão que precisa conhecer Jesus Cristo, destaca o sacerdote, considerando que os desafios atuais são semelhantes aos da Igreja nascente: “chegar aos corações das pessoas”.

Diante da era tecnológica vivida atualmente, muitos têm se isolado em suas casas ou grupos, mas padre Márcio afirma que o Espírito Santo não conhece barreiras. Ele lembra que também os apóstolos, no dia de Pentecostes, estavam trancados numa sala em oração, e o Espírito Santo entrou naquele espaço como em “línguas de fogo” e “incendiou” o coração deles (cf. At 2,1-11).

“Hoje este fogo precisa mais uma vez descer no coração de cada batizado. Cada batizado necessita se abrir à ação do Espírito Santo para poder também transmitir a tantos irmãos que Jesus é o Cristo Senhor na força e no poder do Espírito Santo”.

Ação do Espírito Santo

Pe. Marcio Prado / Foto: Canção Nova

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ensina que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade (cf. CIC n. 245 e 685). Por isso, é preciso relacionar-se com o Espírito Santo, entendendo-O como pessoa, orienta Padre Márcio. “Com a pessoa nós conversamos, nós pedimos ajuda, pedimos auxílio. Então, é preciso estreitar esse contato com o Espírito Santo. Nós podemos contar com Ele: ‘o amigo Espírito Santo'”.

Ele explica que a Santíssima Trindade já estava presente desde a Criação até o Apocalipse, e no Evangelho de São João (capítulos 14 a 16), Jesus fala a respeito do defensor, do paráclito e da vinda do Espírito Santo.

“O Espírito Santo é o movente da Igreja. O catecismo ensina que o Espírito Santo é essa seiva da videira (cf. CIC n.1108), e é por causa desta seiva que é possível dar frutos. Então, o Espírito Santo gera vida e transformação”.

Padre Márcio destaca que o catecismo aponta que a primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão (cf. CIC n. 1989). “O Espírito Santo toca a cada filho e a cada filha que se abre para Ele e age de maneira poderosa, de uma forma que a pessoa se torna diferente”, afirma o sacerdote.

Outra característica do Espírito Santo é que Ele é “o mestre interior”, faz nascer o “homem interior” (cf. CIC b. 1995), a “santificação de todo o ser”. Além disso, a vida moral dos cristãos é sustentada pelos “dons do Espírito Santo” e as “perfeições” que Ele forma em cada pessoa são chamados de “frutos” (cf. CIC n. 1830 a 1832).

“Os frutos daquele que recebeu o Espírito Santo são visíveis. Então, cada fiel precisa renovar esse compromisso com Deus na força do Espírito Santo. Fazer a experiência novamente com Pentecostes, com o Espírito Santo, para poder ser essa pessoa nova e também estar a serviço para a salvação de outras almas”, indica.

Viver sob a ação do Espírito Santo

Padre Márcio conta que, em sua vivência pessoal, percebe a ação do Espírito Santo nas coisas mais simples do cotidiano. “Na Santa Missa que rezo, na inspiração para as pregações, para as reflexões, na inspiração para os atendimentos. Eu percebo essa ação do Espírito Santo que me move porque, pelas minhas próprias capacidades, eu consigo perceber que não conseguiria dar determinado conselho, assimilar determinado conteúdo, é pela ação do Espírito Santo”, conta.

Para ele, o segredo é manter uma contínua sintonia com o Espírito Santo. “Eu vivo pela ação do Espírito Santo, pela graça do Espírito Santo de Deus e procuro manter essa sintonia com Deus Pai, com Deus Filho, com Deus Espírito Santo. (…) viver essa vida no Espírito me afasta do pecado, me afasta do mal e me aproxima de Deus e da santidade. Então, é essa experiência diária que eu faço com o Espírito Santo”.

Diante das novas tecnologias, da Inteligência artificial (IA), padre Márcio considera que o desafio na evangelização é saber usar dessas ferramentas para evangelizar, sem deixar-se escravizar por elas.

“Viver sob a ação do Espírito Santo e não sob a ação das tecnologias. (…) que o Espírito Santo nos ajude de fato a enfrentar esses desafios de um novo tempo de evangelização, sem perder a união com Deus, usando das ferramentas e não sendo escravizados pelas ferramentas digitais”, concluiu.

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