Visita pastoral

Nápoles é chamada a ser capital de humanidade e de esperança, diz Papa

Milhares de napolitanos compareceram à Praça do Plebiscito para receber o Papa Leão XIV, que deixou à população palavras de esperança 

Jéssica Marçal
Da Redação

O Papa Leão XIV aparece com suas habituais vestes brancas acenando ao povo de um palco com o crucifixo de Jesus ao seu lado

Papa acena aos fiéis reunidos na Praça do Plebiscito em Nápoles / Foto: Fabio Sasso/ZUMA Press Wire

O Papa Leão XIV levou seu encorajamento pastoral à cidade italiana de Nápoles nesta sexta-feira, 8. Após o encontro com o clero na Catedral, foi a vez do Pontífice se reunir com representantes da sociedade civil na Praça do Plebiscito, uma das principais da cidade.

Agradecendo pela acolhida de todos, Leão XIV iniciou seu discurso evocando a imagem dos discípulos de Emaús. Assim como eles, muitas vezes Nápoles caminha cansada e desiludida, necessitada da proximidade oferecida por Jesus, refletiu o Pontífice. Realidades diante das quais é preciso se perguntar: o que conta realmente?

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Leão XIV comentou, então, o dramático paradoxo vivido por Nápoles: um notável crescimento turístico que custa a corresponder com um dinamismo econômico capaz de envolver toda a comunidade social. Assim, a cidade ainda é marcada por uma realidade que não separa mais o centro das periferias, com periferias existenciais presentes também no coração do centro histórico.

Há regiões, acrescentou o Papa, marcadas pela desigualdade e pobreza, alimentadas por problemas que permanecem não resolvidos com o tempo, como a disparidade de renda e perspectivas escassas de trabalho. Desafios diante dos quais a presença e ação do Estado são mais necessárias do que nunca, frisou o Papa.

“Heróis sociais” e a presença da Igreja

Nesse cenário, muitos são os napolitanos que desejam uma cidade curada de suas feridas. Muitas vezes, são verdadeiros heróis sociais, mulheres e homens que se dedicam diariamente ao seu trabalho, por vezes simplesmente cumprindo fielmente os seus deveres, sem aparecer, para que a justiça, a verdade e a beleza possam abrir caminho pelas ruas, instituições e relações.

Leão XIV expressou sua alegria em poder dizer que a Igreja em Nápoles contribui significativamente para este trabalho, para estar junto a estes esforços singulares e conectar talentos e aspirações de muitos. Um exemplo disso foi a promoção do Pacto Educativo que encontrou uma resposta generosa das instituições de governo e entre tantas realidades eclesiais e do terceiro setor.

“Continuem a levar adiante este Pacto, reúnam as forças, trabalhem juntos, caminhem juntos — instituições, Igreja e sociedade civil — para elevar a cidade, preservar seus filhos das armadilhas das dificuldades e do mal, para restaurar a Nápoles seu chamado de ser uma capital da humanidade e da esperança.”, exortou.

Nápoles, uma ponte entre as margens do Mediterrâneo

O Pontífice também destacou o caminho percorrido pela cidade para redescobrir sua própria vocação milenar de ser uma ponte natural entre as Margens do Mediterrâneo. Ela que não deve ficar apenas como um simples “cartão-postal” para visitantes, mas se tornar um canteiro de obras aberto, onde construir uma paz concreta, visível na vida cotidiana das pessoas.

“A paz parte do coração do homem, atravessa as relações, se enraíza nos bairros e nas periferias, e se alarga até abraçar toda a cidade e o mundo. Por isso é urgente trabalhar antes de tudo dentro da própria cidade. Aqui a paz se constrói promovendo uma cultura alternativa à violência, através de gestos cotidianos, percursos educativos e escolhas práticas de justiça”.

Leão XIV ressaltou ainda a essência profundamente acolhedora que Nápoles tem para com migrantes e refugiados, uma experiência vivida como oportunidade de encontro e enriquecimento recíproco. “E isso é possível sobretudo graças ao trabalho da Caritas diocesana, que também transformou o Porto de Nápoles de um simples ancoradouro em um símbolo vivo de acolhimento, integração e esperança.”, pontuou.

O protagonismo dos jovens

Exortando os cidadãos a assumirem o compromisso de levar adiante a energia explosiva de bondade, com a coragem evangélica que permite renovar tudo, o Papa destacou o papel dos jovens nessa missão. “Eles não são somente destinatários, mas protagonistas da mudança”, frisou.

“Não se trata apenas de envolvê-los, mas de reconhecer seu espaço, sua confiança e sua responsabilidade, para que possam contribuir de forma criativa para a construção do bem. Em uma realidade frequentemente marcada pela desconfiança e pela falta de oportunidade, os jovens representam um recurso vibrante e surpreendente.”

Ao final de seu discurso, Leão XIV confiou todos os cidadãos de Nápoles à intercessão de Maria e de São Januário. “Que o Senhor os faça sempre fiéis ao Evangelho e abençoe a cidade de Nápoles”.

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