Em seu encontro com o clero de Nápoles nesta sexta-feira, 8, Leão XIV refletiu sobre peso que presbíteros e religiosos podem carregar e salientou cuidado com vida interior
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV frisou cuidado interior durante encontro com o clero em Nápoles / Foto: REUTERS/Yara Nardi
Do fardo carregado no ministério pastoral à partilha da vida em missão. Durante a visita pastoral que realiza nesta sexta-feira, 8, o Papa Leão XIV encontrou-se com o clero de Nápoles na Catedral de São Januário e refletiu sobre a dimensão do cuidado interior dos sacerdotes e religiosos.
No início de sua fala, Leão XIV expressou sua alegria em visitar Nápoles e destacou a alegria da população local. “Hoje estou aqui também para compartilhar essa alegria”, expressou, “obrigado pela acolhida”.
A partir da passagem que narra o encontro de Jesus Cristo com os discípulos de Emaús, o Papa refletiu sobre a dimensão do cuidado. Ele afirmou que, por vezes, é difícil interpretar os sinais da história e, diante das dificuldades que surgem no caminho, pode surgir o desânimo. “Jesus, porém, está ao nosso lado e caminha conosco, acompanhando-nos para nos abrir a uma nova luz: essa é a atitude de quem se importa”, apontou.
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O Pontífice destacou que o oposto do cuidado é a negligência. Refletindo sobre o cuidado interior — com o coração, a própria humanidade e as relações —, afirmou pensar, antes de tudo, naqueles que são chamados a um papel de responsabilidade na Igreja, a exemplos dos sacerdotes e religiosos. Segundo o Santo Padre, o fardo do ministério e a consequente luta interior tornaram-se, de certa forma, ainda mais pesados hoje do que no passado.
Cuidado com a vida interior
Nápoles é uma cidade onde a cultura e as tradições do passado se misturam com a modernidade e a inovação, reconheceu o Santo Padre. Neste contexto, também marcado pela fragilidade social, a ação pastoral é chamada a uma contínua encarnação do Evangelho, pois a fé cristã não se limita a momentos emotivos, mas penetra profundamente no tecido da vida e da sociedade.
De acordo com Leão XIV, o peso, sobretudo para os presbíteros, é grande. “Penso no esforço necessário para perseverar no compromisso com uma proclamação evangélica que possa oferecer horizontes de esperança e encorajar a escolha do bem”, exprimiu o Papa, acrescentando ainda a sensação de impotência e confusão quando percebe-se que a linguagem e as ações parecem inadequadas para enfrentar as novas questões e desafios de hoje, especialmente entre os jovens.
“O fardo humano e pastoral é certamente pesado e corre o risco de nos sobrecarregar, nos desgastar e esgotar nossas energias, podendo, por vezes, ser ainda mais agravado por uma certa solidão e uma sensação de isolamento pastoral”, alertou o Pontífice. Diante disso, é preciso cuidado, a iniciar pela vida interior e espiritual, alimentando constantemente a relação pessoal com o Senhor na oração e cultivando a capacidade de escutar e acolher as inspirações do Espírito Santo.
O Santo Padre apontou que “isso também requer a coragem de saber parar e não ter medo de questionar o Evangelho sobre as situações pessoais e pastorais que vivenciamos, para não reduzir o ministério a uma função a ser executada”.
Fraternidade e comunhão
O cuidado do ministério pastoral, prosseguiu Leão XIV, passa pela fraternidade e comunhão. Frente aos efeitos da solidão que surge em um ambiente cultural mais complexo e fragilizado, torna-se necessário cultivar e promover a fraternidade a fim de superar a tentação do individualismo. “Pratiquemos a arte da proximidade”, exortou o Papa.
A Igreja é um mistério de comunhão, e cada pessoa, a começar pelo Batismo, é chamada a ser uma pedra viva do edifício, um apóstolo do Evangelho, uma testemunha do Reino.
— Papa Leão XIV
Da mesma forma, não se deve esquecer que a necessidade de comunhão diz respeito ao chamado que todos os batizados receberam para formar a única Igreja de Cristo. “Ela deve, portanto, ser buscada, incentivada e vivenciada em todas as nossas relações humanas e pastorais, nas quais um papel primordial é o dos leigos e dos agentes pastorais”, sinalizou o Pontífice.
Neste contexto, o Santo Padre citou o Sínodo diocesano que foi vivido na região. Destacando a dimensão da escuta, ele incentivou os presentes a ouvirem uns aos outros, caminharem juntos e criarem “uma sinfonia de carismas e ministérios”, encontrando maneiras de passar de um ministério pastoral de conservação para um ministério missionário, capaz de interceder na vida concreta das pessoas.
Tal missão, frisou Leão XIV, exige a contribuição de todos. “Todos são participantes ativos no cuidado pastoral e na vida da Igreja, não apenas colaboradores, para que o compromisso e o testemunho de cada indivíduo possam criar uma comunidade presente e atenta, capaz de ser fermento na massa”, salientou.
“Não tenhais medo, não vos desanimeis, e sede, por esta Igreja e por esta cidade, testemunhas de Cristo e semeadores do futuro”, concluiu o Papa.




