DIA MUNDIAL

Gerações e esporte: o que motiva jovens e idosos na busca pelo treino

Educador físico analisa o impacto das novas modalidades e da tecnologia na rotina de quem busca combater o sedentarismo, ansiedade e o bem-estar mental

Thiago Coutinho
Da redação

O Dia Mundial da Atividade Física é celebrado nesta segunda-feira, 6 / Vitaly Gariev por Unsplash

Pesquisa mais recente divulgada pelo Instituto de Pesquisas Datafolha mostra que 53% dos brasileiros com 16 anos ou mais pratica alguma atividade física frente a 47% da população que vive sedentária. Outro detalhe: homens entre 16 e 24 anos são mais ativos do que mulheres. O mesmo se repete na faixa etária dos 45 aos 59 anos. É sob este contexto que é celebrado nesta segunda-feira, 6, o Dia Mundial da Atividade Física.

Quais seriam, então, os principais ‘gatilhos’ que levam diferentes gerações à prática esportiva: os mais jovens buscam estética e performance, enquanto os mais velhos priorizam a longevidade e a sociabilidade?

“Sim, acredito que a grande parcela dos mais jovens buscam o exercício e a prática esportiva para fins estéticos e melhoria da performance em alguma modalidade específica”, afirma Kall Barros, profissional de Educação Física, Crossfit e bailarino. “Mas também encontramos jovens buscando mais integração social. Já há uma grande parcela do público de melhor idade que busca o treinamento físico depois de algum diagnóstico médico. Houve um grande aumento na procura de treinamento físico por parte desse público comparando a alguns anos atrás”, constata o treinador.

Uso de tecnologias

Atualmente, existe uma variedade de aparelhos que ajudam e potencializam o treino de quem pratica algum esporte. São smartwatches (os chamados “relógios inteligentes”), aplicativos de treino etc. Para os mais jovens, pode ser um facilitador. Para os mais velhos, porém, pode ser uma barreira.

“Quando bem orientado e com o suporte necessário, essas tecnologias auxiliam muito pela facilidade de acesso, o fácil entendimento dos protocolos e dos movimentos”, enaltece Barros. “Mas, não substitui a presença de um profissional de Educação Física formado no auxílio e adaptações que cada indivíduo necessita”, alerta.

Esses aplicativos podem até facilitar, mas precisam ser utilizados com parcimônia, ressalva o profissional. “Os vídeos e as explicações gravadas facilitam quando o protocolo de treino tem alguma alteração específica dentro da necessidade do aluno. Entretanto, é interessante não migrar 100% para o uso de app, pois nem todos se adaptam tão bem no uso do celular”, destaca.

Existe uma migração geracional em modalidades específicas, como o Crossfit e o Beach Tennis. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prática de exercício físico é superior a 45% entre pessoas de 18 a 39 anos — embora caia para perto de 30% entre os mais velhos. “Acredito que quando uma modalidade chega, uma grande parcela da massa costuma sim migrar para essas modalidades ‘da vez'”, analisa Barros. “Particularmente acho interessante, porque o mais importante é que as pessoas se sintam acolhidas dentro de uma prática corporal e se cuidem, tanto fisica quanto psicologicamente, porque o número de pessoas sedentárias e com doenças sérias ainda é grande”, constata.

Ferramenta de saúde mental

As atividades físicas podem ser consideradas ferramentas que ajudam muito na promoção da saúde mental, especialmente num momento em que a sociedade convive com diversos casos de ansiedade entre os mais jovens e isolamento dos mais idosos.

“A busca pela prática de atividade física com o intuito de saber lidar com questões emocionais, psicológicas e sociais tem crescido muito e isso é muito conversado dentro das salas de musculação e de modalidades esportivas”, assegura o educador. “Vejo diariamente grupos sendo formados, amizades se tornando mais sólidas, pessoas incentivando uns aos outros a melhorarem e buscar não desistir. Vejo quanto o movimento é potente e reverbera vida”, acrescenta.

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