Oração no Getsêmani

“A guerra não apagará a Ressurreição”, afirma Cardeal Pizzaballa

Patriarca Latino de Jerusalém conduziu oração pela paz no Getsêmani e destacou que, embora o presente seja duro, Jesus segue suscitando a esperança

Da Redação, com Vatican News

A imagem ilustra um cardeal da Igreja Católica, com paramentos litúrgicos vemelhos, segurando um crucifixo dourado.

Cardeal Pizzaballa conduziu oração pela paz no Getsêmani / Foto: REUTERS/Ammar Awad/Pool

O Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, conduziu a oração especial pela paz neste Domingo de Ramos, 29, no Getsêmani, aos pés do Monte das Oliveiras.

A súplica ocorreu poucas horas após autoridades israelenses impedirem o próprio Pizzaballa e o Custódio da Terra Santa, frei Francesco Ielpo, de acessarem o Santo Sepulcro para celebrar a Missa. “Estamos vivendo uma situação muito complicada, (…) nos reunimos porque queremos construir a paz e a fraternidade”, expressou o cardeal no início da celebração, que ocorreu sem a presença de peregrinos.

“Nesta tarde de Domingo de Ramos, estamos aqui sem a procissão, sem os ramos de palma que são levantados pelas ruas”, prosseguiu o Patriarca. “Não é uma ausência formal, mas deve-se à guerra, que suspendeu nossa caminhada festiva, tornando difícil até mesmo a simples alegria de seguir o nosso Rei. Nossos irmãos e irmãs da Terra Santa, hoje, não podem encher as ruas nem unir suas vozes ao cortejo festivo”, complementou.

Pizzaballa pontuou que esta ausência, contudo, não é um vazio do Senhor. “Ele não busca estradas triunfais, entra onde a porta está entreaberta, onde a fidelidade é o pão de cada dia”, afirmou. Mesmo quando o caminho está bloqueado, afirmou, Jesus habita no coração daqueles que não deixaram de segui-Lo.

“Justamente neste silêncio forçado, esta liturgia se torna mais verdadeira. Porque o grito ‘Hosana’ não precisa de ramos para subir ao céu, e a fé não se abate quando lhe faltam os ritos externos”, declarou o cardeal.

Sinal de esperança e dor

Em seguida, o Patriarca afirmou que, “hoje, Jesus volta a chorar por Jerusalém”, que permanece sinal de esperança e de dor, de graça e sofrimento. “Ele chora por esta Terra Santa que ainda não sabe reconhecer o dom da paz”, exprimiu, “ele chora por todas as vítimas de uma guerra que não dá sinais de acabar, pelas famílias divididas, pelas esperanças frustradas”.

As lágrimas de Jesus, contudo, nunca são estéreis. Pizzaballa recordou que elas abrem os olhos aos homens, interpelando-os e revelando-lhes a verdade. Por isso, nesta terra que continua à espera da paz, os fiéis são chamados a serem testemunhas de um amor que não desiste. “Que o nosso caminho de fé, também hoje, possa ser um caminho de esperança. E que nossa vida, mesmo na dureza do presente, saiba levar o amor de Cristo e sua luz para onde tudo parece escuridão”, disse.

Paz que nasce da cruz

Comentando a Paixão de Cristo, o cardeal destacou a figura do centurião que, vendo o Crucificado, descobre que o verdadeiro poder não reside na violência ou na espada que mata, mas numa vida doada livremente. Tal percepção leva-o a confessar: “este homem é o Filho de Deus”. “Justamente no momento em que a morte parece triunfar, a verdade se revela, o amor se manifesta e a salvação se realiza”, observou o cardeal.

Enquanto a guerra parece sufocar as palavras de paz, é possível ouvir ressoar essa mesma confissão. “A última palavra de Deus é o túmulo vazio. É o Senhor que precede os discípulos na Galileia e que também nos precede, guiando-nos para uma paz que não é uma ilusão, mas o fruto da cruz”, indicou o Patriarca.

“A paz que Jesus oferece não é um frágil acordo entre inimigos”, continuou Pizzaballa, “mas uma paz nascida da cruz, uma paz que vem de um Deus que se entrega completamente e não precisa de força nem de armas. Este é o paradoxo que somos chamados a acolher hoje”.

Na Terra Santa, que ao mesmo tempo é o lugar da Ressurreição e do Calvário, aprende-se a olhar para Jerusalém com os olhares de Cristo. “Aprendemos a chorar com ele, mas também a ter esperança com ele”, sinalizou o cardeal. “A guerra não apagará a Ressurreição. A dor não extinguirá a esperança”, concluiu.

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