Padre José Ulysses da Silva, C.Ss.R., explica significado do título de “Mãe da Igreja” recebido por Nossa Senhora e celebrado nesta segunda-feira, 25
Gabriel Fontana
Da Redação

Afresco representando Pentecostes / Foto: Kaitu via Wikimedia Commons
Nesta segunda-feira, 25, os fiéis comemoram Nossa Senhora sob o título de Mãe da Igreja. A memória litúrgica, instituída pelo Papa Francisco em 2018, é celebrada no dia seguinte à solenidade de Pentecostes e está diretamente associada a duas passagens bíblicas.
Segundo o padre José Ulysses da Silva, C.Ss.R., o primeiro relato está ligado à Paixão de Cristo. Enquanto estava pregado à cruz, Jesus vê sua mãe e São João Apóstolo e os confia um ao outro, dizendo “Mulher, eis o teu filho” a Nossa Senhora e “Eis a tua mãe” ao discípulo amado (Jo 19,25-27).
“São João certamente comunicou a todos que Jesus confiara a Virgem Maria ser a Mãe de todos os seus seguidores, e confiara aos seus seguidores serem filhos aos cuidados da sua Mãe”, observa o redentorista. “Podemos afirmar que foi aos pés da cruz que Maria se tornou a Mãe da Igreja, por todos os séculos”, acrescenta.
Mãe de Pentecostes

Padre José Ulysses da Silva / Foto: Arquivo pessoal
A segunda passagem bíblica citada pelo padre José Ulysses é a do próprio Pentecostes. Ele recorda que o relato registra que Nossa Senhora estava em meio aos apóstolos quando eles receberam naquele dia o Espírito Santo. Tal evento marcou o nascimento da Igreja Católica, e a presença da Virgem Maria é um sinal de sua maternidade sobre todos os fiéis.
“Certamente que todos a viam como a referência maior, capaz de lhes comunicar confiança, como se fosse a Mãe de todos”, pontua o sacerdote. Posteriormente, os dogmas marianos confirmaram essa missão que foi confiada por Deus a Nossa Senhora — uma maternidade universal, que Jesus confirmou antes de seu último suspiro e que também se manifesta em Pentecostes.
Devoção do Povo de Deus
Padre Ulysses observa que, na contemplação de Maria como “Mãe da Igreja”, é importante compreender a Igreja como “Povo de Deus”. “Não se trata, portanto, de uma igreja institucional e clericalizada, mas da realidade de um povo batizado”, afirma o sacerdote, baseando-se na constituição dogmática Lumen Gentium.
Segundo o redentorista, a piedade popular mariana proporciona “protagonismo” aos fiéis, que se veem representados nela — o próprio Papa Leão XIV declarou que, na Virgem Maria, “o povo de Deus encontra representados a sua origem, o seu modelo e a sua pátria” (Audiência Geral de 13 de maio de 2026).
O Pontífice indica Nossa Senhora como “o arquétipo, a figura ideal daquilo a que [a Igreja] é chamada a ser”. Frente a esta dimensão, surge o reconhecimento que a memória litúrgica celebrada neste dia propõe ao povo, reflete padre José Ulysses. “Podemos afirmar que essa memória litúrgica é mais uma contribuição que a piedade popular mariana oferece à liturgia oficial, do que o contrário”, afirma.
Colaboradora do Espírito Santo
“Maria participa da obra salvadora de Cristo”, prossegue o sacerdote, “é a Mãe espiritual de toda a Igreja-Povo de Deus e continua sendo modelo, sinal e intercessora da unidade, da esperança e do acolhimento para todos os cristãos”.
Além disso, Nossa Senhora se faz presente em toda a ação atualizadora da obra do seu Filho, realizada pelo Espírito Santo. “É a colaboradora fiel do seu Filho, atuando junto com seu esposo, o Espírito Santo, para que a obra redentora se estenda e se realize em favor de todas as gerações, até o final dos tempos”, conclui padre José Ulysses.




