Em mensagem de vídeo a participantes de assembleia da Ceama, Leão XIV falou sobre desafios da evangelização na Amazônia e destacou inculturação
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV em sua mensagem de vídeo aos participantes da VI Assembleia Geral da Ceama / Foto: Reprodução Vatican News no YouTube
Nesta terça-feira, 17, foi divulgada uma mensagem de vídeo do Papa Leão XIV aos participantes da VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama). O evento acontece em Bogotá, na Colômbia, entre os dias 16 e 20 de março.
No vídeo, o Pontífice afirmou que os participantes estão “vivendo um momento privilegiado de escuta do Espírito Santo para discernir o caminho das comunidades arraigadas nesta região”. Os membros da Ceama partilharam com o Pontífice alguns passos dados, bem como os desafios que estão enfrentando.
“Vocês me fizeram partícipe dos sofrimentos e das esperanças dos habitantes da região, bem como da crescente deterioração de seu ambiente natural”, expressou o Santo Padre, que também garantiu sua “proximidade a todas as pessoas que vivem essa situação”.
Leão XIV também manifestou sua satisfação pelo fato de a assembleia ter, entre seus objetivos, a elaboração dos “Horizontes Pastorais Sinodais”. Segundo ele, estes “podem ser um instrumento útil para orientar o anúncio de um Deus que ama infinitamente cada ser humano, que manifestou plenamente esse amor em Cristo”.
Algo novo já está brotando
Em seguida, o Papa recordou a eleição da presidência 2026-2030, que será feita durante a assembleia. A tarefa desses representantes, frisou, será continuar incentivando a implementação do Sínodo para a Amazônia e, ao mesmo tempo, preparar as contribuições de sua experiência para a Assembleia Eclesial em Roma, prevista para o ano de 2028.
O Pontífice também comentou o texto bíblico que inspira as reflexões da Ceama: “Vou realizar algo novo, que já está brotando. Não percebem?” (Is 43,19). De acordo com ele, esse “algo novo” ainda é frágil e talvez imperceptível, mas já está em andamento — assim como a semente da árvore shihuahuaco, o “gigante da selva”, que cresce muito lentamente, mas é capaz de viver mais de mil anos e tem dezenas de metros de altura.
“Isso pode ajudar a compreender, queridos irmãos, o que a Igreja deseja: ser um sinal de unidade na diversidade e um refúgio seguro, que gera e protege a vida”, sinalizou o Santo Padre.
Caminhar na pobreza com os pobres
Leão XIV convidou os participantes da assembleia a “trabalhar com a confiança de uma fé enraizada em Cristo, que nos repete ‘Eu te amei’, pois é precisamente este amor divino-humano de Jesus que nos transforma em homens e mulheres novos. Este amor, contemplado na oração, nos envia a responder com generosidade e coragem na missão”.
Nesse sentido, prosseguiu o Papa, “se quisermos pertencer a Cristo, somos chamados a ser a Igreja das Bem-aventuranças, uma Igreja que acolhe os pequenos e caminha na pobreza com os pobres”. Ele enfatizou que o contexto atual exige uma resposta adequada diante dos desafios sociais, ambientais, culturais e eclesiais que persistem na Amazônia.
Inculturação: caminho difícil, mas necessário
O Pontífice ressaltou que o papel profético da Igreja e de todos os seus membros, cada um segundo a sua missão, é proclamar o querigma e a vida nova em Cristo, acompanhar os que sofrem, cuidar da criação e respeitar a vida em todas as suas formas, especialmente a vida humana. Além disso, citou que o objetivo da Ceama é moldar um Igreja com “rosto amazônico”.
“Esta tarefa deve ser feita com a convicção de que, pela inculturação da fé, a Igreja se enriquece com novas expressões e valores, manifestando e celebrando o mistério de Cristo de maneira cada vez mais eficaz, unindo a fé mais intimamente à vida e contribuindo assim para uma catolicidade mais plena, não só geograficamente, mas também culturalmente”, pontuou o Santo Padre.
Leão XIV reconheceu que a inculturação é um caminho difícil, mas necessário. “É preciso acolher com coragem a novidade do Espírito, capaz de sempre criar algo novo com o tesouro inexaurível de Jesus Cristo”, afirmou, encorajando pastores e fiéis a continuarem juntos no fortalecimento da identidade de discípulos missionários na Amazônia.
“Continuem semeando no sulco que também foi regado pelo sangue de tantos homens e mulheres que os precederam e que, unidos à paixão de Cristo, se tornaram a raiz de uma ‘árvore gigante’ que cresce na Amazônia”, finalizou o Papa.
Confira a mensagem na íntegra (em espanhol):




