No Governo Federal, mais de 20 ministros devem se afastar do cargo até 20 de abril para concorrer às eleições de 2026
O calendário eleitoral faz de março um mês decisivo para quem está no serviço público e pretende concorrer no pleito de outubro. No governo federal, mais de 20 ministros devem se afastar dos cargos até o começo de abril.
Reportagem de Aline Campelo e Sanny Alves
Os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, Geraldo Alckmin, do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços, Camilo Santana, da Educação, e Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, já confirmaram que deixarão os cargos no governo federal para concorrer nas eleições de 2026.
Na próxima quinta-feira, Haddad deve oficializar a candidatura ao Governo de São Paulo, estado com o maior colégio eleitoral do país.
A expectativa é que 22 dos 38 ministérios passem por mudança de comando. “Geralmente o número dois do Ministério acaba assumindo a pasta com um cargo mais técnico, porém com um menor trânsito político junto ao Congresso Nacional”, contou o cientista político da Unb, Murilo Medeiros.
Os afastamentos abrem espaço para novas indicações e rearranjos políticos dentro da base aliada do governo. “Vai ser um desafio pro governo conciliar pastas lideradas por técnicos, mas que precisam manter uma boa relação com o Congresso Nacional para aprovar matérias de interesse do Governo e para também entregar obras e investimentos nos estados”, apontou ele.
A reforma ministerial pode ter impacto direto na relação entre o Governo e o Congresso Nacional, especialmente na tramitação de projetos considerados prioritários pelo Palácio do Planalto.
Segundo o especialista, as mudanças podem afetar a governabilidade e o avanço das pautas em discussão no legislativo. “Há uma estratégia deliberada do governo com essa troca ministerial. É transferir o capital administrativo em capital político. Especialmente no ano eleitoral. O Governo coloca no campo eleitoral, seus principais nomes em busca de conquistar maiores bancadas para a próxima legislatura”, reforçou o especialista.
Pela Legislação Eleitoral, ocupantes de cargos no Executivo devem deixar as funções até 6 meses antes da eleição para poder disputar o pleito.




