Dom Erik Barden refletiu sobre amadurecimento vivido por São Bernardo de Claraval por meio da contemplação da misericórdia de Deus, revelada em Cristo
Da Redação, com Coram Fratibus

Mosaico que representa relato da mulher banhando os pés de Jesus com perfume / Foto: Reda Kerbush via Wikimedia Commons
Na tarde desta quinta-feira, 26, o pregador dos Exercícios Espirituais da Quaresma no Vaticano, Dom Erik Barden, voltou a refletir sobre São Bernardo de Claraval – desta vez, sob o tema “O realista”.
No início de sua pregação, o religioso pontuou que a identidade do movimento cisterciense se forja na interface entre o ideal e o concreto, o poético e o pragmático. São Bernardo de Claraval, que tinha uma inclinação para elaborar mentalmente uma linha de conduta e depois segui-la de uma forma um tanto drástica, aprendeu com o tempo a ser mais suave, transformando-se de idealista em realista.
“Ele se tornou um realista, não apenas no sentido de aceitar as coisas como são, mas também porque aprendeu que a realidade mais profunda de todos os assuntos humanos é um clamor por misericórdia”, comentou Dom Barden.
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Jesus, a encarnação da verdade
À medida em que São Bernardo aprendia a reconhecer tal clamor nos corações humanos angustiados, em lágrimas amargas e nos conflitos mundanos, mais o santo francês tomava consciência da resposta gloriosa e misericordiosa de Deus. “Em Jesus, Deus revela seu plano de salvação, derramando-o sobre a humanidade como um unguento perfumado, curativo e purificador”, expressou o pregador.
São Bernardo de Claraval aprendeu, em Jesus, as maravilhas que a misericórdia de Deus pode realizar. “Ele considerava Jesus, a encarnação da verdade, nada menos que um princípio hermenêutico. Interpretava situações, pessoas e relacionamentos estritamente à luz de Jesus”, observou Dom Barden.
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“Somente quando estiver iluminada sobrenaturalmente”, prosseguiu o religioso, “nossa natureza revelará sua forma perfeita, sua forma formosa; somente então o deleite de que a vida terrena é capaz se tornará evidente; somente então a glória oculta dentro de nós e ao nosso redor brilhará em intensos lampejos, ensinando-nos o que nós, e os outros, podemos nos tornar, fornecendo um paradigma para um mundo renovado”.
Tal foi o realismo alcançado por São Bernardo em sua maturidade que ele não se tornou apenas um grande reformador, um orador incomparável e um líder da Igreja: “o conhecimento da realidade absoluta do amor de Cristo e seu poder de transformar tudo fez dele um doutor e um santo”, concluiu.




