Cuidado com a saúde

Infarto: por que mulheres e jovens devem redobrar a atenção

Dados do SUS mostram que casos de infarto entre jovens dobraram; cardiologista alerta para sintomas atípicos em mulheres e perigos do calor

Thiago Coutinho
Da redação

Os sintomas do infarto nas mulheres é mais silencioso; excessos no período de carnaval pedem para redobrar os cuidados com a saúde / Foto: Nathalia Segato por Unsplash

O período de Carnaval pode exigir cuidados redobrados com a saúde. Calor extremo, desidratação, esforço físico intenso e, em alguns casos, o consumo exacerbado de álcool criam o cenário ideal para uma possível sobrecarga cardíaca.

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“Essa é uma combinação potencialmente perigosa”, afirma Cristina Silveira, cardiologista intervencionista e membro da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. “O calor e o esforço físico causam vasodilatação e aumento da frequência cardíaca. O álcool, por sua vez, contribui para a desidratação e eleva o risco de arritmias, podendo causar queda da pressão arterial e desmaios”, alerta.

Esses problemas podem tomar dimensões ainda maiores se o indivíduo já possuir problemas cardíacos desconhecidos. “Para pacientes que já têm doença cardíaca, a combinação desses fatores pode aumentar o risco de isquemia devido ao aumento da demanda de oxigênio e à redução da oferta de nutrientes”, explica a especialista.

Mulheres correm mais risco

Dados recentes do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que, nos últimos 15 anos, o número de jovens acometidos por infarto mais que dobrou. A situação é ainda mais grave para as mulheres que, ao sofrerem um infarto, apresentam risco de óbito 50% maior em comparação aos homens.

“As mulheres podem apresentar sintomas atípicos. Elas nem sempre sentem aquela dor clássica no peito que irradia para o braço esquerdo”, explica a médica. “Nelas, o infarto pode se manifestar como cansaço, falta de ar ou angústia. Isso faz com que a própria paciente não valorize o sintoma e demore a procurar atendimento. Qualquer atraso implica no aumento de complicações”, reitera.

O aumento de casos entre jovens também preocupa. Além do estilo de vida, o uso de substâncias estimulantes — como energéticos, cafeína em excesso ou drogas ilícitas — pode ser o gatilho final. “O consumo excessivo de álcool, cigarros eletrônicos, drogas psicoestimulantes e hormônios aumenta o risco de eventos cardiovasculares mesmo em pacientes muito novos”, salienta a cardiologista.

Emergência e Prevenção

Em ambientes de aglomeração, o socorro pode ser demorado, mas a agilidade é essencial. “O ideal é procurar atendimento médico imediatamente, ter à mão o número do SAMU (192) e manter o paciente em local seguro até a chegada do socorro. Cada minuto de atraso aumenta o risco de morte”, reforça Cristina.

A hidratação e as pausas são fundamentais para mitigar riscos. “Fazer pausas à sombra, evitar a exposição ao sol nos horários mais quentes e alimentar-se adequadamente são dicas vitais. E, claro, realizar avaliações médicas periódicas, mesmo sem sintomas, é o melhor caminho para a prevenção”, finaliza.

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