200 ANOS DE RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS

Cardeal Parolin: "Brasil encontrou na Igreja uma companheira de viagem"

Secretário de Estado do Vaticano presidiu Missa por ocasião do bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé nesta sexta-feira, 23

Da Redação, com Vatican News

Cardeal Pietro Parolin celebrou a Missa inteiramente em português / Foto: Reprodução Vatican Media

Por ocasião do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, uma Missa foi celebrada na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, nesta sexta-feira, 23. A celebração foi presidida pelo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin.

Entre os concelebrantes, estiveram o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Jaime Spengler; o arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil, Cardeal Sergio da Rocha; e o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), Cardeal Orani João Tempesta.

O Cardeal Parolin celebrou a Missa inteiramente em português. Na sua homilia, recordou o início das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, marcadas pela nomeação do monsenhor Francisco Corrêa Vidigal como primeiro plenipotenciário do imperador Dom Pedro I em 1826. Três anos depois, o monsenhor Pietro Ostini foi enviado ao Brasil como primeiro Internúncio Apostólico e Delegado Apostólico para toda a América Latina.

“Duzentos anos não são apenas uma medida cronológica, mas uma trama de encontros, de palavras pronunciadas e, às vezes, silenciadas, de gestos discretos e decisões corajosas que contribuíram para construir pontes onde o mundo frequentemente ergue muros”, expressou Parolin. “Desejamos, portanto, agradecer por estes dois séculos de diálogo, respeito mútuo, cooperação paciente e fecunda, não apenas registrados nos documentos da história, mas sobretudo na carne viva de um povo que crê, na sua cultura, nas suas esperanças e nas suas provações”, acrescentou.

Diplomacia a serviço da humanidade

Refletindo sobre a Liturgia do dia, o cardeal indicou que a diplomacia se coloca a serviço da paz, da dignidade das pessoas e do bem comum. Como exemplo citou Davi, que renunciou à violência e reconheceu Saul como o ungido do Senhor, optando pela via da misericórdia, do respeito e da espera confiante no tempo de Deus.

O secretário de Estado também recordou o discurso do Papa Leão XIV ao corpo diplomático, no qual definiu a diplomacia pontifícia como expressão da própria catolicidade da Igreja, que é animada por uma urgência pastoral que a impele a intensificar sua missão evangélica ao serviço da humanidade e não a procurar privilégios.

“A diplomacia da Igreja não nasce da busca de vantagens políticas, mas de uma visão moral e espiritual da história, na qual o diálogo prevalece sobre o conflito, a paciência sobre a opressão e a consciência sobre o interesse imediato”, explicou Parolin. Assim como Davi, muitas vezes a Santa Sé escolheu o caminho silencioso e humilde da palavra, confiante no fato de que a verdade possui uma força própria capaz de agir ao longo do tempo.

Companheiros de viagem

Cardeal Pietro Parolin presidiu Missa por ocasião dos 200 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé / Foto: Reprodução Vatican Media

“Em dois séculos de relações com a Santa Sé”, prosseguiu o cardeal, “o Brasil não encontrou na Igreja uma potência estrangeira, mas uma companheira de viagem que se mostrou atenta às feridas sociais, aos desafios educativos e à promoção da justiça e da paz”.

Ao longo deste tempo, a sociedade brasileira passou por mudanças políticas, transformações sociais, crises e renovações, mas as relações com a Santa Sé permaneceram ancoradas num princípio essencial: a centralidade da pessoa humana, criada à imagem de Deus e chamada a uma vida de dignidade, liberdade e responsabilidade.

Comentando ainda sobre as características da fé do povo brasileiro e a devoção a Nossa Senhora Aparecida, o secretário de Estado indicou que é preciso olhar para o passado com gratidão, para o presente com responsabilidade e para o futuro com esperança. “A missão da Igreja e o serviço da diplomacia não podem prescindir de busca sincera da paz, onde Deus é fruto da justiça”, pontuou.

“Que estes duzentos anos não sejam um ponto de chegada, mas um limiar, o início renovado de um compromisso comum em favor do homem e da sua vocação transcendente”, finalizou Parolin.

Palavras do embaixador brasileiro

Embaixador Everton Vargas se pronunciou ao final da celebração / Foto: Reprodução Vatican Media

Ao final da celebração, o embaixador brasileiro junto à Santa Sé, Everton Vieira Vargas, dirigiu algumas palavras aos presentes. Ele agradeceu ao Cardeal Parolin por ter aceitado o convite para presidir a Missa e a todos que colaboraram com a embaixada para organizar a celebração.

O embaixador também agradeceu a presença da Camerata Antiqua de Curitiba, responsável pela música litúrgica e que executou algumas obras do padre José Maurício Nunes Garcia, um dos maiores compositores de música sacra do Brasil.

Vargas destacou que a celebração do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé é uma oportunidade privilegiada para renovar os compromissos compartilhados num período de incertezas e desafios no mundo. Segundo o embaixador, este evento recorda o diálogo contínuo, o respeito recíproco e a cooperação construtiva, ancorados na compreensão profunda do papel que a fé, a dignidade humana e a justiça social desempenham na vida do povo e na formação da sociedade brasileira.

“Celebramos a trajetória histórica e nos conscientizamos da vocação para o futuro”, ressaltou o embaixador. “Que as décadas vindouras de nossa história comum sejam marcadas por ainda maior convergência em favor da paz, da justiça social, da dignidade humana e do cuidado com a vida em todas as suas formas”, concluiu.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content