À TV italiana

Papa destaca riscos da comunicação atual e pede televisão de qualidade

Em mensagem a tradicional programa da TV italiana Rai 1, Papa adverte sobre os riscos do falso “assumir aparência do verdadeiro” e da superficialidade do conhecimento

Da redação, com Agência Ecclesia

Papa veste batina branca e solidéu, com cruz peitoral, durante Catequese no Vaticano.

Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Em mensagem dirigida a um tradicional programa de TV da Rai 1, na Itália, que completou 30 anos, o Papa Leão XIV alertou sobre os riscos da comunicação contemporânea e pediu que sempre seja oferecida uma “televisão de qualidade”.

“Novas formas de comunicação abrem novos horizontes de conhecimento, mas, ao mesmo tempo, quebram as fronteiras. Num fluxo contínuo de palavras e imagens, o falso pode assumir a aparência do verdadeiro”, escreveu o Papa, na mensagem divulgada nesta quinta-feira, 22, pelo jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’.

A mensagem, dirigida ao jornalista Bruno Vespa por ocasião dos 30 anos do programa “Porta a Porta”, propõe uma reflexão sobre a evolução do panorama mediático nas últimas três décadas.

Riscos da comunicação contemporânea

O Papa identifica a ambiguidade do tempo presente, onde “a leitura rápida pode disfarçar-se de profundidade” e onde “os monólogos podem disfarçar-se de diálogos nos quais, na realidade, ninguém ouve realmente”.

No texto, Leão XIV adverte para o perigo de se “confundir o falso com o verdadeiro, o zapping compulsivo com a escuta, o doom-scrolling com a leitura intencional, a curiosidade superficial com o desejo de conhecer”.

O convite do Papa centra-se na necessidade de “parar e vigiar” perante estas dinâmicas, defendendo que “paciência e visão” são elementos essenciais para cultivar relações duradouras numa sociedade marcada pela velocidade.

Oferecer uma televisão de qualidade

Leão XIV recorda que, ao longo de 30 anos, o contexto mundial e eclesial mudou profundamente, entre “guerras e acordos de paz, crises e recuperações, acontecimentos alegres e tristes”, narrados sob os holofotes das câmaras.

Perante as inovações tecnológicas, a mensagem pede que se utilizem os novos instrumentos sem perder “a singularidade da nossa humanidade” e expressa o desejo de que se possa “sempre oferecer ao mundo, sedento de beleza e verdade, uma televisão de qualidade”.

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