Na Audiência Geral, Leão XIV destacou a Revelação como um verdadeiro “diálogo de aliança”, no qual Deus se dirige à humanidade como a amigos
Da Redação, com Vatican News

Papa na Catequese desta quarta-feira, 21/ Foto: REUTERS/Remo Casilli
O Papa Leão XIV deu continuidade, nesta quarta-feira, 21, à catequese sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, dedicada à Divina Revelação. Na Sala Paulo VI, o Pontífice recordou aos fiéis que Deus não se revela por meio de ideias abstratas, mas em um verdadeiro “diálogo de aliança”, no qual se dirige à humanidade como a amigos. Trata-se, explicou, de um conhecimento que não se limita à transmissão de conteúdos, mas que “partilha uma história e nos chama à comunhão mútua”.
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A plenitude da Revelação acontece em um encontro histórico e pessoal, no qual o próprio Deus se entrega e se faz presente, permitindo ao ser humano descobrir-se conhecido em sua verdade mais profunda, pontuou o Santo Padre. Essa experiência, prosseguiu, encontra sua realização plena em Jesus Cristo.
Leão XIV destacou que o Filho revela o Pai ao envolver a humanidade na reciprocidade da sua própria relação com Ele. Em Cristo, indicou, os homens têm acesso ao Pai no Espírito Santo e tornam-se participantes da vida divina: “Chegamos, pois, ao pleno conhecimento de Deus ao entrarmos na relação do Filho com o seu Pai, em virtude da ação do Espírito”.
Conhecer o Pai na relação com o Filho
Para ilustrar essa verdade, o Papa recordou a oração de júbilo de Jesus narrada por São Lucas, na qual o Senhor louva o Pai por revelar seus mistérios aos pequeninos: “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc 10,21-22). Segundo o Pontífice, é nessa dinâmica relacional que o cristão aprende a conhecer Deus como Pai.
O Santo Padre reforçou que, graças a Jesus, os homens conhecem Deus da mesma forma como são conhecidos por Ele. Em Cristo, ressaltou, Deus comunica a si mesmo e revela ao homem a sua verdadeira identidade: filhos criados à imagem do Verbo. Assim, Leão XIV frisou que, ao se descobrirem conhecidos por Deus, os homens reconhecem também a sua vocação mais profunda: a de filhos chamados à vida plena.
Somos salvos por uma Pessoa
O Papa fez questão de enfatizar que a salvação não acontece apenas por vias intelectuais. “O que nos salva e nos chama não é apenas a morte e a ressurreição de Jesus, mas a sua própria pessoa”, afirmou.
Segundo o Pontífice, é a vida inteira do Senhor — que se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós — que comunica a verdade de Deus. Por isso, comentou, não basta considerar Jesus como um simples transmissor de verdades abstratas. A Revelação passa por seu corpo real, por sua maneira concreta de ver e viver a realidade. De acordo com Leão XIV, o próprio Cristo convida os discípulos a partilhar o seu olhar confiante sobre o mundo e sobre o cuidado do Pai.
Uma fé que gera confiança filial
Ao concluir a catequese, o Santo Padre recordou que, ao seguir Jesus até o fim, o cristão chega à certeza de que nada pode separá-lo do amor de Deus. Citando São Paulo, afirmou:
“Se Deus é por nós, quem estará contra nós? Ele, que não salvaguardou o seu próprio Filho, […] como não haverá de nos conceder, juntamente com Ele, todas as coisas? (Rm 8,31-32). Graças a Jesus, o cristão conhece Deus Pai e entrega-se a Ele com confiança.”




