CONFLITO CIVIL

Retirada das forças curdas de Aleppo leva alívio à população da Síria

Em mensagem à ACN Portugal, padre conta que retirada de grupo opositor ao governo após uma semana de conflitos levou tranquilidade ao povo de Aleppo

Da Redação, com ACN Portugal

A imagem ilustra uma rua com diversos carros queimados e prédios atingidos por explosões. Ao centro, uma família caminha em meio à destruição.

Moradores de Aleppo caminham por rua com prédios e carros destrídos após retirada das forças curdas / Foto: Moawia Atrash/dpa via Reuters Connect

Após dias cheios de medo e ansiedade, a calma regressou a Aleppo. Em uma mensagem à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) em Portugal, um sacerdote expressou o alívio após a retirada das forças curdas dos dois bairros que controlavam a cidade síria.

“Domingo foi o primeiro dia tranquilo após longos dias de intensos confrontos”, afirmou padre Hugo Alaniz. “Graças a Deus, as nossas famílias estão bem e em segurança, e aos poucos estamos a voltar à vida normal e às atividades do Centro e da Igreja”, acrescentou o missionário argentino.

A mensagem é completamente diferente da última atualização publicada pela ACN na semana passada. Na ocasião, o sacerdote pediu orações pela paz e pelo fim do sofrimento do povo sírio. Ao fundo do áudio, escutavam-se os ruídos de explosões provocadas pelo conflito que eclodiu na terça-feira, 6, entre as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos, e as forças leais ao governo.

Os combates deixaram vários mortos e feridos, incluindo cristãos, e provocando o cancelamento das celebrações de Natal que estavam previstas pelos fiéis ortodoxos armênios, assim como as celebrações da Epifania. A Igreja local abriu muitos dos seus edifícios para acolher as famílias que tiveram de fugir das suas casas.

A retirada das forças curdas neste domingo, 11, após mediação dos Estados Unidos e da União Europeia, levou um sentimento de alívio para a população local. “Obrigado por se preocuparem conosco nestes últimos dias. Pedimos que rezem por nós para que a paz prevaleça em Aleppo e para que não haja retaliações no futuro”, concluiu padre Alaniz.

Êxodo cristão

Única religiosa portuguesa presente na Síria, irmã Maria Lúcia Ferreira também enviou uma mensagem para a ACN Portugal. Ela sublinhou a crise econômica no país, que está levando muitas famílias cristãs a quererem emigrar. “Cada vez tudo é mais caro, muitas vezes [as famílias] já não têm dinheiro para comprar medicamentos, e toda esta violência é mais um incentivo para o êxodo dos cristãos”, disse a religiosa.

A irmã Myri, da Congregação das Monjas de Unidade de Antioquia, pediu as orações de todos pela paz. Ela recordou que na Síria “nasceram as primeiras comunidades cristãs”, de onde “começou a irradiar a fé para o mundo inteiro”. “Seria uma perda muito grande que deixasse de haver cristãos nesta terra”, manifestou a irmã.

No domingo, 11, o Papa Leão XIV expressou sua preocupação com o país. Após rezar o Angelus, o Pontífice alertou para as tensões no Oriente Médio, especialmente na Síria e no Irã, e pediu “que se cultive com paciência o diálogo e a paz, buscando o bem comum de toda a sociedade”.

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