Padre explica que o Natal termina com uma continuidade, uma passagem do ministério da encarnação para o início da missão redentora do Senhor
Thiago Coutinho
Da redação

Foto: Canva
A Igreja celebra neste domingo, 11, a Festa do Batismo do Senhor, encerrando o tempo litúrgico do Natal. O Batismo, de fato, pode ser considerado a porta de entrada para a vida cristã, de forma que compreender seu sentido e renovar suas promessas é fundamental para o fortalecimento da caminhada espiritual.
“A Igreja encerra o tempo do Natal no batismo do Senhor porque é o mistério que manifesta plenamente quem é o menino Jesus que nasce em Belém. Ele nasce com uma missão, com um desígnio, nasce para a vida pública e para anunciar o reino para a vida de conversão”, explica padre Gabriel Pimentel, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Muzema, no Rio de Janeiro.
Neste intervalo até a Quaresma, segundo o sacerdote, é o momento em que a Igreja anuncia a chegada desse Cristo que vem para evangelizar e levar a libertação aos pobres. “E esse batismo de Jesus é uma epifania, uma manifestação da Trindade, o Espírito que desce, o Pai que fala. E o Natal não termina com uma simples mudança, um fechamento. É uma continuidade, uma passagem do ministério da encarnação para o início da missão redentora do Senhor”, acrescenta.
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Promessas Batismais
Na ocasião desta festa, os fiéis são convidados a renovar suas promessas batismais. Mas, como continuar vivendo essa experiência mesmo com o passar dos anos?
“Essa é uma pergunta curiosa”, afirma padre Gabriel. “Para alguns, o tempo funciona muito bem. Para outros, o tempo parece um peso. Viver as promessas batismais é um processo de maturação, um processo de amadurecimento, não um automatismo. Com o passar dos anos, a luta para muitos não diminui, mas a consciência dessa luta se aprofunda, a gente vai ao longo do caminho se conhecendo melhor”, ressaltou o sacerdote.
Padre Gabriel também lembrou que Deus vai nos dando oportunidades para amadurecer nesse caminho. “Ele veio para revelar a nossa própria vocação. O processo acontece, vamos dizer assim, amor por amor, gesto por gesto, e esse gesto por gesto é sempre pautado na vida de Deus, no critério do Evangelho, que é Jesus mesmo, que vem para nos ensinar essa vida toda nova”, pondera o religioso.
Batismo não é tradição social
Por vezes, o Batismo pode ser visto apenas como uma tradição social ou de infância. Mas, para o cristão, tem um significado mais profundo. “Ser filho no Filho é a identidade mais profunda que a gente poderia ter”, salienta padre Gabriel. “Diante do pecado, muitas vezes a gente se abaixa, coloca-se debaixo desse julgo do pecado. Mas ser filho no Filho renova a nossa dignidade”.
O sacerdote também recorda o sentido de pertença a Deus neste sacramento. “A gente não é mais definido pelo pecado, não é mais definido pelo fracasso, não é mais definido pelas ansiedades, pelo medo de futuro, mas vivemos a partir da certeza de que pertencemos a Deus. Pertencemos a Deus não só por analogia, mas pertencemos de fato”, frisa.
Como porta de entrada na vida cristã, o Batismo também necessita do “calor da comunidade” para florescer e amadurecer. É no convívio eclesial que a criança cria memórias espirituais e é acolhida por testemunhos vivos — desde os pais e padrinhos até os catequistas e demais membros das comunidades. Conforme ensinava muitas vezes o Papa Francisco, a fé exige o encontro com o outro para se tornar testemunho.
“A comunidade nos livra dos nossos egoísmos, de muitas vezes um fechamento. O Papa Francisco dizia tanto isso, a cerca da fé é fechada, a cerca da fé é enrijecida, que fechada em si mesma, sequer pode ser chamada de fé, como a gente conhece, porque a fé precisa ser testemunhada, precisa ser vista, precisa de alguma maneira ser esse testemunho vivo, de que fomos encontrados por alguém”, finaliza o sacerdote.




