Simpósio Nacional das Famílias

Economista explica relações entre família e trabalho

A cidade de Aparecida (SP) já está se preparando para receber milhares de famílias no fim deste mês. O Simpósio Nacional das Famílias será realizado neste fim de semana, 28 e 29, e terá em sua programação uma palestra sobre a relação entre família e trabalho, que será realizada pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann.

Em entrevista ao noticias.cancaonova.com, Pochmann informou que sua palestra vai, em um primeiro momento, situar a atual circunstância em que se encontra o Brasil no que diz respeito à relação entre família e trabalho. A proposta é fazer uma breve recuperação da evolução das famílias ao longo do tempo, estabelecendo sua relação com o trabalho.

“Posteriormente, as transformações da família e do trabalho no que a gente reconhece como sendo a sociedade urbana e industrial e agora, então, o desafio das famílias e do trabalho nessa sociedade em que somos cada vez mais identificados como sociedade do conhecimento.

Família x trabalho

De acordo com o presidente do Ipea, a posição familiar vem passando por uma mudança muito rápida, com sinais de redução no tamanho das famílias e também novos arranjos familiares. Segundo ele, essas novas configurações vêm acompanhadas da expansão da idade dos membros da família, o que leva a uma maior presença e maior disponibilidade para o exercício do trabalho.

“Além disso, a liberação para o exercício do trabalho especialmente das mulheres, que passam a ter menos filhos, quando comparadas com famílias de um período anterior”, complementou Pochmann.

O economista também lembrou casos em que o trabalhador se aposenta, recebe um benefício previdenciário, mas continuam trabalhando. Ele explicou que ainda não há um entendimento absoluto sobre essas novas questões, “seja sob o ponto de vista do papel que a família tem nesse novo horizonte quanto do ponto de vista de políticas públicas que poderiam estar entendendo essa nova realidade”.

Problemas

Dentro dessas novas configurações da sociedade atual, Pochmann também citou as mudanças na própria natureza do trabalho. O que mais se expande hoje em dia não é o trabalho tradicional, na indústria, construção civil ou agricultura, por exemplo, mas sim o de serviços.

Nesses tipos de trabalhos, o economista explicou que conta-se muito com o recurso de novas tecnologias, o que permite que se possa trabalhar em outros lugares, como em casa, e não apenas no local específico do trabalho.

“As pessoas estão levando trabalho pra casa e isso está tendo uma repercussão sob o ponto de vista da sua própria sociabilidade dentro do local de moradia. Então você passa a ter hoje pai, filho, mãe na sua casa continuando a trabalhar, porque essa cultura da informação faz com que as pessoas continuem conectadas no próprio trabalho sem antes estar no trabalho”, disse.

Pochmann ressaltou, porém, que ainda não há um balanço definitivo sobre os reais impactos dessa extensão do trabalho, mas informou que há indícios de que isso vem acompanhado de novas doenças profissionais e ao mesmo tempo tende a comprometer a própria sociabilidade

“Porque faz com que pessoas em casa usem mais a internet, o telefone, e retiram o tempo de relação. Então, na verdade, tem também aspectos negativos que decorrem dessas transformações tão importantes no meio do trabalho e, ao mesmo tempo, da família também”, finalizou.

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