“Para onde deve nos levar o progresso?” é uma pergunta central na Catequese de Leão XIV nesta quarta-feira, 23
Em Audiência Geral no Vaticano, o Papa Leão XIV propôs uma reflexão sobre o papel do ser humano na construção do mundo. A partir de conceitos como ciência, trabalho e desenvolvimento, o Santo Padre lembrou que o verdadeiro progresso melhora a vida das pessoas e é orientado pela caridade.
Reportagem de Adilson Sabará e Daniele Santos
A Praça São Pedro recebeu cerca de 25.000 pessoas para a Audiência Geral. E entre a multidão, uma pergunta esteve no centro da catequese de Leão XIV: “Para onde deve nos levar o progresso?”
O Papa retomou a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II e refletiu sobre a atividade humana no mundo: o trabalho, a ciência, a técnica e a capacidade de transformar a realidade.
Para Leão XIV, a inteligência e a liberdade fazem parte dos dons recebidos por cada pessoa. É por meio deles que homens e mulheres ampliam o conhecimento e podem melhorar as condições de vida. Por isso, o Papa rejeitou a ideia de que Deus e o ser humano estejam em lados opostos. Na visão apresentada por Leão XIV, trabalhar, estudar, pesquisar, criar e transformar o mundo podem ser caminhos de realização da vocação humana. A fé, portanto, não pede que a pessoa abandone a realidade em que vive, mas que dê um sentido mais profundo ao que faz todos os dias.
O Papa explicou que Deus confiou a criação ao ser humano como uma realidade ainda em caminho que precisa ser conduzida com responsabilidade. E neste ponto há uma dimensão muito concreta: o desenvolvimento não pode ser medido apenas por aquilo que conseguimos produzir, mas também pelo bem que somos capazes de gerar.
O progresso técnico e científico deve ser animado e orientado pela caridade. Para o Pontífice, esse é o critério para um verdadeiro progresso humano, estar a serviço da dignidade de cada pessoa e melhorar as condições de vida de todos, principalmente daqueles que vivem em situação de maior vulnerabilidade.
Assim, a ciência e a técnica não são apresentadas apenas como conquistas, elas carregam também uma responsabilidade. E Leão XIV propôs uma imagem simples para traduzir isso. Compartilhar o pão do conhecimento e do saber fazer. Não guardar o conhecimento apenas para alguns, mas permitir que cada pessoa e cada povo desenvolvam seus próprios potenciais.
Na catequese, o Pontífice se aproxima ao ensinamento do Concílio Vaticano II da vida cotidiana. Aquilo que o ser humano faz com suas mãos, sua inteligência e seu trabalho pode contribuir para um mundo melhor. Mas para Leão XIV há uma condição essencial, que o progresso nunca perca de vista a pessoa humana.




